Receba a cura

abril 1, 2011

Quando Jesus passou aqui pela terra proclamou a Boa Nova com palavras e obras. A pregação de Jesus era sempre acompanhada pela manifestação de conversões, curas e milagres.

 Os doentes iam sozinhos ou eram levados até Jesus. O Espírito Santo quis que ficasse guardado nos evangelhos um milagre surpreendente. Trata-se de uma cura a distância. Aqui temos uma revelação consoladora sobre o poder da oração: nem sempre quem reza pelos doentes pode estar junto deles, e mesmo assim esta oração é eficaz. O motivo é muito simples: a oração é feita em nome de Jesus, e não tem limites de tempo ou espaço. Em Mt 18,19-20 lemos: “Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus. Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.”

 No início de meu ministério sacerdotal, estando em Sorocaba, uma cidade do interior de São Paulo, distante 100 km de minha cidade. Fui procurado pelos parentes de uma pessoa com câncer terminal. Era tarde da noite, eu tinha que voltar para São Paulo. Tinham nas mãos uma fotografia do enfermo, lembro ter feito uma breve oração em nome de Jesus. No ano seguinte encontrei esta pessoa: estava curado!

 Quero convidar você a exercitar a fé a seu favor, se estiverem enfermos, ou a interceder por seus parentes e amigos. Jesus deseja tocar em todas as suas enfermidades e dar a saúde. Em Lc 7,2-3 esta escrito: “Havia lá um centurião que tinha um servo a quem muito estimava e que estava à morte.  Tendo ouvido falar de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, rogando-lhe que o viesse curar.”Aqui temos a primeira chave para receber resposta nas nossas orações: Tendo ouvido falar de Jesus.

O centurião romano ouviu o testemunho do efeito da Palavra de Jesus, e movido pela certeza deste poder, foi a Jesus pedir a cura do servo. Nesta atitude aprendemos que a fé não é somente crer em Deus. Eu posso crer em Deus e não possuir a fé para deixar Seu poder agir. Quantas pessoas já me disseram: Estou a tantos anos na igreja, e Deus nunca respondeu a minhas orações. Qual é o problema? Estas pessoas não ouvem a voz de Deus. Não deixam a Sua Palavra chegar ao coração.

 O centurião romano estava convencido de que Jesus podia curar seu servo. Esta é a fé bíblica. A fé é a convicção de que Deus cumpre as promessas de Sua Palavra. Ele foi capaz da dar o testemunho de sua confiança em Jesus, ao ponto de declarar: “Senhor… não sou digno  de que entres em minha casa… mas dize somente uma palavra  e o meu servo será curado.” (Lc 7,6.7). Estas palavras demonstram que a fé libera o poder de Deus.

A cura do servo do centurião ficou guardada no evangelho para ser de estímulo para a nossa fé. Sim, hoje os milagres continuam acontecendo.

 Um exemplo é testemunho enviado por Izalina Adão de Guarapari, Espírito Santo. Em 2009 foi diagnosticado um tumor no cérebro do pai. Os médicos resolveram operá-lo, porém, não deram muitas esperanças. Ele corria o risco de vida, e se sobrevivesse teria muitas seqüelas. Ele foi operado. E os médicos afirmaram que ele teria somente 3 meses de vida.

Naqueles dias ela recebeu a nossa carta mensal, com um testemunho cura de tumor, semelhante ao de seu pai. No coração de D. Izalina veio a convicção da cura do pai. Todos os dias acompanhava o programa, ouvia a Palavra, rezava e abençoava a água.

 Passado um ano, o pai estava vivo, depois de fazer os exames de rotina, em setembro de 2010, os médicos ficaram surpresos: o tumor tinha desaparecido.

Um dos médicos disse: “Se vocês tem fé e acreditam em Deus, o milagre esta diante de vocês.”

Para algumas pessoas isso talvez signifique exagero ou locura. Eu somente posso dizer: tenho visto Deus realizar milagres. Sim existe muito mais a nossa disposição.

 

 

Restituição instantânea da perna do coxo de Calandra

Pode, porventura, uma perna amputada e enterrado por 2 anos e meio, em pleno contato com a terra, ser reimplantada ao corpo?

Sim, pelo nosso Deus do Impossível.

O relato:

“Vittorio Messori é um conhecidíssimo escritor italiano, jornalista e historiador famoso que publicou em 1998 um estudo sobre um fato acontecido em Calanda em 1640. Calanda é um vilarejo de Zaragoza, na Espanha, sem nenhuma significação social.

Jean Martini Charcot, famoso líder do positivismo religioso do século XIX, certa vez comentou: “Ao consultar o catálogo de curas chamadas milagrosas, nunca se tem podido comprovar que a fé tenha feito reaparecer um membro amputado”.

Pois bem, foi isso exatamente o que aconteceu em Calanda: uma perna amputada foi reimplantada miraculosamente depois de mais de dois anos de enterrada. Este acontecimento extraordinário, sobrenatural, foi estudado exaustivamente, com todo o rigor científico, por Messori no seu livro “O grande milagre”.

Entre as dez e onze da noite do dia 29 de março de 1640, enquanto Miguel Juan Pellicer (camponês de 23 anos), dormia em sua casa foi-lhe “reimplantada” – repentina e definitivamente – a sua perna direita. A perna, feita em pedaços pela roda de um carro e posteriormente gangrenada, foi-lhe amputada no fim de outubro de 1637 (2 anos e 5 meses antes da impressionante “restituição”), no hospital público de Zaragoza.

Cirurgiões e enfermeiros realizaram sucessivamente a cauterização do toco da perna com um ferro em brasa. O processo e a investigação foram abertos 68 dias depois e se prolongaram por muitos meses, sendo presidido pelo Arcebispo de Zaragoza, assistido por nove juizes, com dezenas de testemunhos e um rigoroso respeito às normas prescritas pelo Direito Canônico.

A sentença do processo declarou que a perna reimplantada de maneira tão repentina era a mesma que fora cortada e em seguida enterrada. Este fato foi certificado apenas 3 dias depois de que ocorrera e no mesmo lugar do acontecimento, por um notário (de outra cidade e, portanto, sem relação com o caso), por meio do habitual instrumento legal, garantido igualmente pelo juramento de muitas testemunhas oculares.

A partir do testemunho do protagonista e de outros testemunhos, se chegou à conclusão de que o milagre foi devido à intercessão de N. Sra. do Pilar, a quem o jovem sempre fora particularmente devoto, à qual se havia encomendado antes e depois da amputação de sua perna, e em cujo santuário de Zaragoza tinha pedido e obtido autorização para pedir esmola.

Quando pode enfim sair do hospital com uma perna de madeira e duas muletas, untava diariamente o seu toco de perna com o azeite das lâmpadas acesas na Santa Capela do Pilar. Isto é precisamente o que sonhou que estava fazendo, em Calanda, na noite em que adormeceu com uma única perna e foi despertado por seus pais poucos minutos depois, possuindo outra vez as duas pernas.

Sobre a verdade do fato nunca se levantou voz alguma de dúvida, nem na ocasião nem depois, nem no povoado nem em nenhum outro lugar. Após a conclusão positiva do processo, o próprio rei da Espanha, Felipe IV, ordenou que chamassem ao seu palácio de Madrid o jovem do milagre, ajoelhando-se em sua presença para beijar-lhe a perna milagrosamente “restituída”.

A forma como aconteceu o acidente, em julho de 1637, está assentado no livro de registros do Hospital Real de Valência, no dia 3 de agosto do mesmo ano, detalhando como ia vestido, e autenticado com a assinatura do encarregado do registro (Pedro Torrosellas). A constatação do processo avançado de gangrena no Real Hospital de Nuesta Senora de Gracia, em Zaragoza, consignado na consulta médica presidida pelo professor Juan de Estanga, diretor daquele departamento da universidade de Zaragoza; a amputação da perna direita feita pelos cirurgiões Estanga e Millarnelo; a maneira como foi depositada a perna pelo praticante Juan Lorenzo Carcia na capela do hospital e mostrada ao capelão e administrador do mesmo hospital, Pascual do Cacho; etc, etc…

0 médico lhe advertia que, além da possível infecção, o óleo mantinha uma umidade que retardava a completa cicatrização da ferida. Durante toda sua estadia em Zaragoza, Miguel Juan Pellicer passava o dia pedindo esmola na porta da Basílica do Pilar. À noite ia dormir no “Mesón de las Tablas” quando tinha dinheiro para pagar ao proprietário; se não, dormia num banco do hospital. Em marco de 1640, Miguel Juan Pellicer, esgotado pela vida miserável que levava, decidiu voltar a Calanda apesar do seu desejo de ficar junto à Basílica de “La Virgen del Pilar.”

Todos em Calanda e nas vilas limítrofes por onde Miguel Juan Pellicer, montado num jumento, ia pedindo esmola, conheciam o jovem sem a perna direita. Dois anos e quase cinco meses após a amputação da perna direita. Precisamente no dia do 16º centenario da visão que teve de Nossa Senhora, ainda viva, o Apóstolo Santiago e do aparecimento do Pilar na quinta feira 29 de marco de 1640. Ao redor das dez horas da noite, Miguel Juan Pellicer abandonou a conversa e , foi deitar, pois se encontrava especialmente cansado.

Pouco depois, Dona Maria Blasco, a mãe, foi ver se o filho mutilado estava bem coberto. Deu um grito de estupor acudiu o pai. Por baixo das cobertas apareciam dois pés! Após os primeiros instantes de surpresa, levantou as cobertas: aí estava de novo, inteira e sadia, a perna direita, da qual até momentos antes Ihe faltava a metade. Miguel Juan só sabia explicar que se havia encomendado, como todas as noites, à Virgem do Pilar, e que sonhara que estava na Basílica untando a ferida uma vez mais com o óleo das lâmpadas. Nessa mesma noite acudiram a ver o incrível milagre o soldado Bartolomé Ximeno, e os vizinhos Miguel Barraxina e esposa Úrsula Means.

Os três minutos antes, estiveram conversando com o coxo e vendo como tirara a perna de madeira e os panos antes de retirar-se a dormir. Naquela mesma noite foi chamado e veio o pároco Pe. José Herrera. No dia seguinte de manhã a Igreja estava cheia de pessoas que viram e agradeceram a Deus a recuperação da perna direita de quem todos conheciam privado dela até a véspera. Reconhecimentos posteriores mostraram que a perna direita, milagrosamente recuperada, conservou sempre cicatrizes perfeitamente fechadas das feridas que tivera antes de ser amputada, principalmente a da grande ferida provocada pela carreta e que ocasionara a gangrena. Havia também a cicatriz, perfeitamente fechada como todas as outras, onde se havia feito a amputação. Tratava-se da mesma perna que havia sido amputada!

A mesma perna que havia sido enterrada quase três anos antes! Ficara “a marca”!, a conhecida condescendencia divina para uma insuperável observação científica.. . Quando a noticia do milagre chegou a Zaragoza, mandou-se verificar no Cemitério do Hospital Real.

Sob a direção do Dr. Juan Lorenzo García comprovou-se que a perna, ou os ossos que deveriam ficar dela, havia desaparecido, sem que ninguém antes tivesse mexido na terra! A recuperação de Miguel Juan Pellicer, como em todo milagre, foi instantânea… e também “por etapas” (a delicada e conhecida condescendencia de Deus para melhor observação e acompanhamento científicos, e talvez também purificação, exercício da fé…):

A perna direita, durante os três primeiros dias após a recuperação instantânea, estava fria. Sua cor era apagada, algo roxa. E os dedos do pé estavam permanentemente curvados, os nervos contraídos, de forma que durante estes três dias Miguel Juan Pellicer, perante todas as autoridades e numeroso povo que o visitava, não podia apoiar a perna firmemente no chão, nem podia prescindir da muleta que usava.

Passados esses três dias, as mesmas autoridades e o povo puderam constatar que Miguel Juan Pellicer agora caminhava perfeitamente, o pé ficara normal. Mas faltava ainda outra etapa? Ou era outra marca?: A largura ou espessura da perna direita, a recuperada, era claramente menor que a grossura da perna esquerda.. . Miguel Juan Pellicer, a 25 de abril, viajou com seus pais a Zaragoza para agradecer à Virgem do Pilar.

Durante o trajeto, um cirurgião lancetou o talão nas suas pesquisas, fato que obrigou Miguel Juan Pellicer a mancar um pouco novamente. Mas logo passou. Miguel Juan quis permanecer em Zaragoza por algum tempo. Ia com freqüência à Basílica do Pilar, onde confessava e comungava cada sete dias, e comprazia-se em continuar ungindo sua perna direita, mais débil, com o óleo das lâmpadas. “Pouco a pouco a perna direita ficou igual à esquerda (. . .). Quando voltou a Calanda, os vizinhos maravilharam-se de vê-lo caminhar e correr alegremente. Como deram testemunho (. . .). Notaram também que o jovem podia realizar movimentos de esticamento até levantar o pé à altura da cabeça. Assim completara-se o milagre até a perfeição total”(48).

A Prefeitura de Zaragoza, a 8 de maio de 1640, reuniu-se em conselho extraordinário e plenário, e nomeou três procuradores para pesquisar o caso, além de solicitar do Sr Arcebispo que instaurasse um acurado processo canônico, a expensas da Prefeitura Conservam-se todas as atas de ambos os inquéritos.

0 inquérito da Prefeitura começou só dois meses depois do milagre. 0 canônico, só após três meses. Bem contemporâneos dos fatos. Inquéritos detalhadíssimos. Muitas comprovações. Depoimentos de multidão de pessoas que conheceram e conviveram com Miguel Juan Pellicer, antes e depois do acidente, antes e depois da amputação. Vi um grande tapete que há no Palácio Real de Madri, representa o Rei Felipe IV beijando a perna regenerada de Miguel Juan Pellicer. Lord Hopton, embaixador da Inglaterra na Espanha, certificou independentemente que esteve presente quando El-Rei se ajoelhou, descobriu a perna recuperada e beijou a cicatriz da amputação.

Foram realizadas recentemente novas pesquisas históricas a respeito, com levantamento abundante e irrefutável de documentos. 0 milagre com “0 coxo de Calanda” foi em 1640.

Somente em 1959 se realizou com sucesso a primeira operação de recolocar uma perna cortada. Os cirurgióes do Hospital Mont-Eden, de Hayward (Califómia – USA), conseguiram recolocar uma perna, mas imediatamente ao acidente (não três anos depois), sadia (não gangrenada) e que ficara ainda unida ao corpo por consideráveis partes de carne (não uma perna enterrada!). E o maravilhoso êxito da cirurgia humana precisou meses de cuidados médicos antes de o paciente ser dado de alta.

Miguel Juan e seus pais examinaram a perna amputada descobrindo imediatamente sinais inconfundíveis que permaneciam nela. “O mais notório e principal, a cicatriz originada pela roda do carro que lhe fraturara a tíbia; outra cicatriz, menor, ocasionada pela extirpação, na adolescência, de um abcesso; e, por último, dois profundos sinais de cortes provocados por um arbusto de espinhos, e as marcas da mordida de um cachorro”.

Quando amanheceu o 30 de março, e se difundiu a notícia por todo o povoado, Pe. Jusepe se aproximou da casa dos Pellicer com muita gente. Entre estas o primeiro magistrado, o juiz que era ao mesmo tempo o responsável da ordem pública, Martín Corellano. Acorreram também o jurado maior, o prefeito Miguel Escobedo, o “jurado segundo”, Martín Galindo, e o notário real Lázaro Macario Gomez. Encontravam-se também os dois cirurgiões locais, que certificaram o fato de maneira profissional. Ambos declarariam ter que render-se à evidência, que havia deixado por terra sua instintiva incredulidade. O notário lavrou uma ata notarial constatando o fato ocorrido.

Tratava-se de uma expedição inesperada à que devemos um documento extraordinário, para não dizer único, como único é o caso que aparece neste documento legal. Estamos ante uma intervenção divina testemunhada por uma ata notarial, diante de um milagre com a garantia de um documento ajustado à normativa vigente e corroborado por dez testemunhas oculares, escolhidos entre os de maior confiança e melhor informados dos muitíssimos disponíveis. E como se não bastasse, a ata notarial foi escrita e autenticada, passadas algo mais de 70 horas depois do sucedido e no próprio lugar onde ocorrera.

Observou o historiador Leandro Aína Naval: “trata-se de um Ato Público (ata notarial, diríamos hoje) documento de máxima autoridade em todo tempo, que se aproxima ao ideal exigido por alguns racionalistas para a comprovação dos milagres na sua vertente histórica”.

Mais tarde em outubro de 1641, Felipe IV, rei de Espanha, no meio da corte espanhola, rodeado de todo o corpo diplomático interrogou publicamente a Miguel e aos relatores do processo. Verificou ele próprio a reimplantação miraculosa da perna, e, diante do assombro de todos, ajoelhou-se e beijou a perna, fazendo com isso um verdadeiro ato de fé.

A homenagem de Felipe IV naquela manhã de outubro foi como o selo definitivo que a autoridade civil pode dar a um acontecimento. O rei da Inglaterra, Carlos I, (cabeça da Igreja Anglicana inimiga da Espanha), informado pelo seu embaixador ficou convencido do milagre, até o ponto de defendê-lo perante os teólogos da sua Corte, que ficaram escandalizados.

Não consegui descobrir nenhum argumento para dar um mínimo de credibilidade à suspeita ou à dúvida do milagre. Quem rejeitasse a verdade do acontecido em Calanda teria que pôr também em dúvida toda a História, incluindo os fatos certos que estão mais comprovados. Quantos fatos existem que possam fundamentar-se numa ata notarial outorgada de imediato? Quantos com um processo levado com todo rigor com dezenas de testemunhos sob juramento e além disso com a total exclusão de qualquer tipo de interesse pessoal dos envolvidos na causa?

Messori assim termina o seu estudo: “Se Calanda nos apresenta como o cume do poder da intercessão e da misericórdia mariana, não é sem dúvida o único. Em outras muitas pequenas e grandes “calandas” de todos os tempos e países, um povo fiel e confiante experimentou, e experimenta, que não iam dirigidas apenas a João as palavras de Jesus agonizante na cruz: “Mulher eis ai teu filho… eis ai tua mãe” (Jo 19, 26-27). Este povo sabe que Maria é a mãe benigna e amável para todos que filialmente solicitam a sua intercessão.”

Fonte: Livro “O grande milagre” Autor: Messori

 

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Quaresma: uma batalha espiritual

março 10, 2011

A quaresma começa com um gesto próprio e exclusivo: a imposição das Cinzas. Qual é o seu significado mais profundo? Certamente não se trata somente de um gesto exterior, mas de algo bastante profundo, que toca o nosso coração. As cinzas nos fazem compreender a atualidade das palavras do profeta Joel 2, 13: “Rasgai vossos corações, e não vossas vestes! Voltai ao Senhor vosso Deus, porque Ele é bom e compassivo!” Esta advertência é importante para todas as práticas religiosas: os gestos exteriores devem corresponder sempre a sinceridade da alma e a coerência das obras. Para que serve rasgar as vestes, se o coração permanece distante do Senhor, eis aquilo que conta: voltar para Deus, com o coração sinceramente arrependido, para obter a sua misericórdia.

 Um coração renovado e um espírito novo é o que pedimos com o Salmo 50,12:“Ó meu Deus, criai em mim um coração puro, e renovai-me o espírito de firmeza.” O verdadeiro cristão, consciente de ser pecador, deseja e busca a renovação espiritual.

 Todos os dias, mas sobretudo na Quaresma, o cristão deve enfrentar uma luta, como a de Jesus Cristo no deserto da Judéia, onde durante quarenta dias foi tentado pelo diabo,e depois no Getsémani, quando rejeitou a extrema tentação aceitando totalmente a vontade do Pai. Trata-se de uma batalha espiritual, que se destina contra o pecado e contra satanás. É uma luta que envolve totalmente a pessoa e exige uma vigilância atenta e constante.

 Santo Agostinho observa que quem deseja caminhar no amor de Deus, não pode contentar-se com a libertação dos pecados graves e mortais, mas “pratica a verdade reconhecendo também os pecados menos graves…  Também os pecados menos graves, se forem descuidados, crescem e causam a morte”.

 A Quaresma recorda-nos que a existência cristã é um combate incessante, no qual devem ser utilizadas as “armas” da oração, do jejum e da penitência. Lutar contra o mal, contra qualquer forma de egoísmo e de ódio, e morrer para si mesmos para viver em Deus é o programa de vida de cada discípulo de Jesus.

Nesta quaresma siga o conselho de Jesus em Mt 6,6: “Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á.”

 O modo simples para viver estas palavras é:

 – reservar um tempo diário para a oração pessoal;

 – fazer uma visita semanal ao Santíssimo Sacramento;

 – participar com todo fervor da santa missa dominical;

 – preparar-se com um exame de consciência para uma boa confissão.

 Tenha presente que a finalidade da verdadeira prática religiosaé nos ajudar a crescer no amor verdadeiro,que não exclui ninguém,não julga pela aparência ou ouvi dizer, mas sabe fazer o bem e perdoar.

 

 Oração da Quaresma de Sto. Efrén

 Senhor e Mestre de minha vida,

afasta de mim o espírito de preguiça,

de abatimento, de domínio sobre meus semelhantes,

de falar sem necessidade,

e concede a mim, teu servo, um espírito de integridade,

de humildade, de paciência e de amor.

Sim, Senhor e Rei,

concede ver meus pecados e não julgar meus irmãos”

porque és bendito pelos séculos dos séculos. Amém.


Confie em Deus

fevereiro 26, 2011

“não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não é mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes? Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas?”  (Mt 6,25-26)

Estas palavras parecem simples de mais e fora da realidade. A primeira vista, tem-se a impressão de que Jesus não valoriza a importância do estudo, trabalho…enfim, os esforços por uma condição de vida melhor. E na verdade, Ele usou um exemplo da natureza – as aves e flores –para mostrar como Deus cuida com amor da Sua criação. Deus provê água, luz e calor para sustentar tudo o que vive e respira.

Se Ele procede assim com as aves e flores, muito mais podemos espera nós, que somos criados a sua imagem e semelhança. Ele tem a provisão para as nossas necessidades materiais e físicas, e também para nossa mente, coração e alma.

Nós existimos para Deus. A nossa vida esta em seu coração. Se entendêssemos a grandeza e profundidade do seu amor por nós, não viveríamos longe Dele, e nem diminuiríamos o nosso fervor.

O que fazer?

Não se trata de algo fácil. O mundo, com todas as suas preocupações, tenta roubar a nossa fé e confiança na ajuda de Deus. No lugar coloca a sensação de medo

em relação ao futuro. E o resultado é nos tornar escravos das coisas e distantes de Deus.

Qual é a saída?

Primeiro passo: Mt 6,33

“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo.”

Significa priorizar Deus em nossa vida, de modo que nossos pensamentos estejam voltados para Sua vontade, e nossa vida reflita a confiança nos seus cuidados amorosos. A questão é: O que é realmente importante para nós: pessoas, metas, bens materiais, diversão, esporte…? Se não formos firmes em dar a Deus o primeiro lugar, qualquer outro interesse ocupa rapidamente o Seu lugar.

Segundo Passo: Mt 6,34

“Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado. ”

Planejar o futuro é importante e necessário. A dedicação ao estudo é fundamental. O empenho no trabalho é necessário. Lutar por uma condição de vida melhor não tem nada de errado. Nem Sempre é fácil estabelecer a diferença entre planejar e inquietar-se. Planejar significa traçar uma meta confiando na direção e cuidados de Deus. Inquietar-se é permitir que a ansiedade de conseguir coisas ou agradar pessoas, interfira em nosso relacionamento com Deus. A nossa parte é colocar o melhor de nós em tudo, a cada dia. Deus se encarregará dos resultados. Ele sabe o que estamos necessitando. Ele jamais nos desamparará.

Diante da vida somente existem dois caminhos:

– Confiar no poder e amor de Deus,

– Ou entregar-se as preocupações e ser infeliz.

Rezemos:

“Senhor Jesus, livra-me de preocupações desnecessárias

e ajuda-me a confiar no poder e amor do Pai.”

Amém

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O assalto do demônio: as tentações

fevereiro 18, 2011

Um dos maiores inimigos da vida cristã vitoriosa é não compreender ou não levar a sério as palavras de Nosso Senhor em Mt 26,41: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.” Vigiar significa jamais perder a consciência de que todos estão sujeitos a tentação. E ninguém vence a tentação sozinho, daí a importância da união com Deus pela oração.

 A igreja primitiva tinha muito claro a importância da atitude de vigilância para não cair nas armadilhas de Satanás. Eles ensinavam, por exemplo:

 – “o diabo rouba ao homem as virtudes da alma, leva-o ao vício, priva-o da liberdade, tornando-o escravo; arrebata-lhe os bens espirituais, extinguindo nele o temor de Deus, e incentivando-o a praticar as misérias da vida presente.(Orígenes)

 –  Satanás “é o grande inimigo do homem.”(Tertuliano)

 -“A esperta serpente não tem outra ânsia, outro cuidado, nem outro negócio, senão derramar o sangue das almas” (São Bento)

 O Catecismo do Concílio de Trento diz: “O demônio nos faz uma guerra sem descanso e persegue-nos com uma raiva mortal. Eis porque suplicamos a Deus para nos livrar do mal e do maligno.”

 Um dos erros da prática cristã de muitas pessoas esta em negar a existência do demônio ou a ignorância sobre esta questão.Nos dois casos fica o espaço para que Satanás semeie a sua terrível destruição.

 Os ataques de Satanás acontecem, principalmente, em três dimensões:

 – tentação

Infestação pessoal e de lugares

e mais raramente a possessão.

 Quero convidar você a reconhecer como o maligno age colocando-nos à prova por meio da tentação. A tentação é um estímulo ao mal que encontra apoio em mente e sensibilidade. Muitas tentações surgem dos apelos do mundo para que a gente pratique a mentira, desonestidade, o abuso do sexo, infidelidade matrimonial, experimente e se torne escravo das drogas, abuse do álcool…  e tantas outras seduções. Para nos levar a pecar, “Satanás se transfigura em anjo de luz…”(2Cor 11,14).Para isso, usa todos os meios capazes de atrair nossa atenção, e nos fazer cair em pecado.

 Santo Agostinho dizia: “O demônio ilude-nos com a sombra das coisas passageiras; com as ilusões nos engana e, ao enganar-nos, provoca-nos a morte.”

 A tática do demônio é encontrar o nosso ponto mais fraco.Pode ser a nossa própria vida espiritual fria ou morna, a saúde, a família, os problemas financeiros e profissionais, a afetividade…

 Se ele não encontrar nada nestas áreas, ele não desanima, porque sabe como desviar as mentes e corações do propósito de amar, servir e louvar a Deus.

 O nosso mundo com o destaque para a busca de uma condição melhor de vida,a ênfase sobre a importância da diversão,a facilidade de comunicação via internet,podem se tornar, se não vigiamos,nos novos frutos proibidos apresentadospela terrível serpente para desviar a nossa atenção de Deus. Observe como as pessoas estão sempre conectadas:Celular, Ipod, redes sociais…Exercício físico, as baladas, viagens… O pecado não esta nas atividades ou tecnologia,e sim no modo como são nos relacionamos com estas realidades.

 Na tentação o diabo sugere,quem consente e peca somos nós. Se resistimos com o escudo da fé, Satanás não tem como entrar em nossa vontade. Paulo nos diz em I Cor 10,13: “Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela.”

 

Oração para vencer as tentações

 Senhor Jesus, daí-me forças para suportar as dificuldades,

e sabedoria para me afastar do mal e das tentações.

Que todos os meus passos, atos, desejos e pensamentos,

sejam retos aos Teus olhos;

que em meu coração cresça a vontade de amar, louvar e servir a Deus.

Cria em mim um espírito de vigilância,

 para que possa reconhecer as mentiras de Satanás.

Afasta de mim este terrível inimigo e sua astúcia,

e repreende todas as suas artimanhas contra a minha vida

Guarda-me, Senhor Jesus; Guia-me. Eu Te peço e agradeço. Amém.


Sorrir e assobiar

janeiro 20, 2011

 

       A cada dia as pessoas vão perdendo a capacidade de sorrir, assobiar tranqüilamente na rua, cumprimentar com atenção e sinceridade. Ao invés disso, vemos a pressa em chegar no destino, os gestos ou palavras demonstrando irritação ou agressividade. Como cristãos é necessário estar atentos para não cometer esses erros, porque um dos sinais da presença de Jesus em nosso coração é a alegria. 

 “O Reino de Deus não é comida e nem bebida, mas justiça, paz e gozo no Espírito Santo. Quem deste modo serve a Cristo, agrada a Deus e goza da estima dos homens.”

              Rom 14,17-18

         Estas palavras nos ajudam a compreender que viver de acordo com os ensinamentos da Palavra de Deus é algo extremamente útil e prático. Deus não quer ocupar somente o nosso tempo  com alguns atos religiosos, mas dar uma visão ampla sobre a vida. Podemos iniciar cada dia esperando sempre uma surpresa agradável. Para alcançar este objetivo é necessário seguir o sábio conselho de uma pessoa de profunda experiência com as surpresas de Deus: o apóstolo São Paulo. Em 2 Cor 12,10 diz: ” Eis que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido pôr amor de Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte.” A alegria, fruto do Espírito Santo, dá a convicção que somos capazes de enfrentar as lutas da vida, tristezas e outras realidades indesejáveis.

 Um problema atrás do outro, caindo em nossa vida tem o poder de trazer a amarga sensação de fracasso, desânimo. Nesse momento desaparece todo o prazer de viver, afinal de contas, quem é que agüenta solidão, brigas na família, traição de amigos, dificuldades financeiras, doença…? Não existe alegria para quem se sente derrotado. Agora, se a atitude é outra, a de reagir de acordo com a sua fé em Jesus Cristo, tudo muda. Você pode até em um primeiro momento se sentir abatido, mas a promessa do Senhor é muito clara:

…mas aqueles que esperam no contam com o Senhor renovam as suas forças; ele dá-lhes asas de águia. Correm sem se cansar, vão para frente sem se fatigar.”

                                 Is 40,31

 A solução está em parar de lamentar a sua sorte e levantar a cabeça, manter-se de pé, firme nas promessas do nosso bom Deus. Não existe melhor remédio do que a fé. Quanto passamos pôr turbulências em nossa vida, existe o perigo de tentar a solução de trabalhar mais, ou o mais grave, envolver-se com o álcool, drogas, jogo… Não chegue a este ponto, e se chegou existe saída. Aproxime-se de Jesus, não tenha medo de falar do seu problema, se for preciso chore junto Dele, não tenha vergonha….Ele também chorou diante do túmulo do seu amigo Lázaro. Todavia, faça isso como quem está se submetendo  a um tratamento com a certeza da cura.

 “ Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas.”

                                        Mt 11,28-29

 Fica claro que não se trata de mera auto-ajuda, como esta na moda, e sim a importância de viver a fé, praticar a religião… pois aí está o combustível que faz o motor da vida produzir alegria.

 Então vamos recapitular:

– permita que o Espírito Santo renove  sua mente tirando o pessimismo, passando a viver o otimismo;

– aprenda a assobiar e sorrir para as pessoas

– pratique de modo confiante a sua fé e participe da Igreja para alimentá-la com os meios deixados pôr Jesus

 

 

 


Orai sem cessar

janeiro 13, 2011

” Que ninguém pense, meus caros irmãos em Cristo, que o dever de orar incessantemente é somente dos sacerdotes e dos monges, mas não dos leigos. Não, não; todos nós, cristãos, temos o dever de estarmos sempre em estado de oração. Ponderem no que o santo Patriarca de Constantinopla, Filoteu, escreveu na vida de São Gregório de Tessalônica.

Este hierarca tinha um amigo amado cujo nome era Jó, um homem simples mas de boas obras. Certa vez eles estavam conversando, e o bispo disse que todos os cristãos deveriam sempre se esforçar em oração, e deveriam orar constantemente, conforme o Apóstolo Paulo exortara: Orai sem cessar (I Tessalonicenses 5:17); e conforme o Profeta David dissera de si próprio [a despeito de ser rei e de governar todo um reino]: Tenho contemplado o Senhor sempre diante de mim (Salmo 15:8), isto é, com meu olho da mente eu sempre vejo o Senhor diante de mim em oração. E São Gregório, o Teólogo, ensina a todos os cristãos que eles devem invocar o nome de Deus mais vezes do que respiram.

Tendo dito isto e muito mais, o hierarca ainda acrescentou a seu amigo Jó que não somente devemos obedecer ao mandamento dos santos, isto é, de sempre orar, mas que devemos ensinar aos demais a fazer o mesmo; a todos, sem distinção – monges e leigos, cultos e incultos, homens e mulheres, e crianças – devemos exortá-los a orar sem cessar.

O velho Jó, ao ouvir essas coisas, achou que se tratava de inovações, e começou a argumentar, dizendo ao hierarca que orar incessantemente era tarefa de ascetas e monges, ‘que viviam fora do mundo e de suas preocupações, e não de leigos, que possuem muitas preocupações e atividades’. O hierarca trouxe ainda mais evidências em favor desta verdade e novas provas irrefutáveis, mas, mesmo assim, o velho Jó não se deixou convencer. Então, a fim de evitar contendas e discussões, o santo Gregório calou-se, e cada um foi para sua cela.

Mais tarde, quando Jó estava orando sozinho em sua cela, apareceu-lhe um anjo enviado de Deus, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade (I Timóteo 2:4), e repreendeu-o por ter discutido com São Gregório e por ter negado uma verdade tão evidente, da qual depende a salvação dos cristãos. Ele anunciou do próprio Deus que, no futuro, ele deveria prestar atenção e tomar cuidado para não dizer nada contrário a esta questão salvífica e para não resistir à vontade de Deus, e que até mesmo em sua mente ele não deveria sustentar qualquer pensamento contrário a isto, não se permitindo pensar em nada que negue o que São Gregório havia dito. Então, o simples e velho Jó correu até São Gregório e, ajoelhando-se, pediu perdão pela discussão, revelando-lhe tudo o que o anjo de Deus havia dito.

Ora, vedes, meus irmãos, como todos os cristãos, do menor ao maior, devem sempre orar dentro de seus corações: “Senhor Jesus Cristo, tem piedade de mim!”, a fim de que suas mentes e corações sempre tenham o hábito de pronunciar estas santas palavras. Ponderem o quanto isso é agradável a Deus e o bem que isso gera, quando, em Seu infinito amor pela humanidade, Ele enviou um anjo do céu para revelar isso a nós, de maneira que ninguém mais tenha dúvidas a respeito.

Mas o que dizem os leigos? “Estamos sobrecarregados de coisas para fazer e preocupações mundanas; como conseguiremos orar sem cessar?”

Eu lhes responderia que Deus não nos manda fazer o impossível, mas somente aquilo que somos capazes de fazer. E, portanto, isso pode ser feito por qualquer um que busque fervorosamente a salvação de sua alma. Se isso fosse impossível, então seria impossível a qualquer um que vivesse no mundo e não haveria tantas pessoas, em meio ao mundo, que estivessem rezando incessantemente como se deve. Entre estas muitas pessoas, podemos citar o exemplo do pai de São Gregório de Tessalônica, o impressionante Constantino, que, apesar de estar envolvido na vida da corte, sendo chamado de pai e tutor do Imperador Andrônico e ocupado diariamente com questões estatais e familiares – ele tinha uma grande propriedade com muitos servos, uma esposa e filhos – apensar de tudo isso, ele era tão inseparável de Deus, e tão apegado à oração mental incessante, que frequentemente se esquecia o que o Imperador e seus ministros estavam discutindo e frequentemente lhes perguntava a mesma coisa. Os ministros, sem entender o porquê das perguntas insistentes, irritavam-se e o reprovavam por ser tão esquecido e por molestar o Imperador com perguntas repetitivas. Mas o Imperador, sabendo a razão por trás disso tudo, vinha em sua defesa e dizia: “Constantino tem seus próprios pensamentos que, às vezes, não lhe permitem prestar total atenção ao que estamos dizendo”.

Há inúmeras pessoas que, vivendo no mundo, se entregaram à oração incessante, conforme a história atesta. Portanto, meus caros irmãos em Cristo, eu vos exorto – eu, juntamente com São João Crisóstomo – pelo bem da salvação de vossas almas, não negligencies essa oração. Imiteis o exemplo daqueles de quem falei, e sigais seu exemplo o quanto puderes. Em princípio, pode parecer algo muito difícil, mas assegurai-vos, como se isto viesse do Deus Altíssimo, de que o próprio nome de nosso Senhor Jesus Cristo, incessantemente invocado por vós, ajudar-vos-á a superar todas as dificuldades e, com o tempo, vós estareis acostumados e desfrutareis da doçura do nome do Senhor. Então, sabereis por experiência que esta atividade não é impossível nem difícil, mas possível e fácil. É por isso que São Paulo, sabendo muito mais do que nós o grande benefício que esta oração traz, exorta-nos a orar sem cessar. Ele não teria exigido isso de nós se fosse algo assim tão difícil e totalmente impossível, sabendo de antemão que, fosse esse o caso, sendo impossível cumprir a tarefa, seríamos inevitavelmente desobedientes a seu mandamento e nos tornaríamos transgressores dele e, por causa disso, dignos de julgamento e punição. Mas esta não poderia ter sido a intenção do Apóstolo Paulo.

Para orarmos dessa maneira, temos de ter em mente o método da oração, como é possível orar sem cessar, isto é, orar com a mente. Sempre é possível fazer isso, se quisermos. Enquanto nos ocupamos com trabalhos manuais, enquanto falamos, enquanto comemos ou bebemos – sempre é possível orar com a mente, ou a oração agradável a Deus, a verdadeira oração. Trabalhemos com o corpo, mas com a alma, oremos. Que o homem exterior desempenhe todas as atividades corporais, mas que o homem interior esteja completamente entregue ao serviço de Deus e nunca cesse a atividade espiritual da oração mental, conforme Jesus, o Deus-Homem, mandou no Santo Evangelho: Tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto (Mateus 6:6). O aposento da alma é o corpo: a porta são os cinco sentidos do corpo. A alma entra em seu aposento quando a mente não perambula aqui e ali, em busca de coisas mundanas, mas quando encontra seu lugar no coração. Os sentidos se fecham e mantêm-se assim quando não lhes permitimos que se apeguem a coisas sensuais exteriores, e, dessa forma, a mente permanece livre de todos os apegos mundanos e, por meio da oração mental oculta, une-se a Deus seu Pai.

E teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente, continua o Senhor. Deus, que conhece tudo o que está oculto, vê a oração mental e recompensa com grandes e manifestos dons. Pois esta é a verdadeira e perfeita oração que enche a alma com a graça divina e com dons espirituais – como mirra que, quanto mais estiver contida em um vaso, tanto mais esse vaso exalará fragrâncias. É assim com a oração: quanto mais compartimentada estiver no coração, tanto mais abundará com a graça de Deus.

Bem-aventurados os que se acostumaram com essa atividade celestial, pois através dela vencem todas as tentações dos espíritos malignos, assim como David venceu o orgulhoso Golias. Dessa maneira, eles sufocam os desejos desordenados da carne, assim como os três jovens sufocaram as chamas da fornalha. Por meio da oração mental, as paixões são domadas, assim como Daniel domou as bestas selvagens. Ela traz o orvalho do Espírito Santo ao coração, assim como as orações de Elias trouxeram chuva ao Monte Carmelo. A oração mental alcança o próprio trono de Deus, onde é entesourada em taças douradas e, como um incenso, exala uma doce fragrância diante do Senhor, exatamente como São João, o Teólogo, viu em sua revelação: Os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa, e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos (Apocalipse 5:8). A oração mental é a luz que ilumina a alma do homem e inflama seu coração com o fogo do amor a Deus. É a corrente que une Deus ao homem e o homem a Deus. Ó, não há nada que se compare com a graça da oração mental! Ela faz do homem um eterno dialogador com Deus. Ó verdadeira excelência e excelentíssima tarefa! Em corpo vós estais com as pessoas, mas mentalmente conversais com Deus.

Os anjos não possuem vozes audíveis, mas mentalmente rendem louvor constante a Deus. Eis sua ocupação; toda sua vida é dedicada a isso. E tu também, irmão, quando entrares no teu aposento e fechares a porta, isto é, quando tua mente não mais perambular por aí, mas entrar nos recessos interiores do teu coração, e teus sentidos forem trancados e afastados das coisas do mundo, e dessa maneira tu sempre orares, então serás como os santos anjos, e teu Pai, que vê tua oração secreta que rendes a Ele dos tesouros do teu coração, conferirá a ti grandes e manifestos dons espirituais.

E o que mais tu desejas disto, quando, conforme eu disse, mentalmente tu estás sempre na presença de Deus e conversas com Ele incessantemente – tu conversas com Deus, sem O qual nenhum homem jamais será abençoado aqui ou na outra vida.”

São Gregório Palamás

 


Janeiro: Devoção ao Santíssimo Nome de Jesus

janeiro 6, 2011

O nome de Jesus, devotamente invocado, salva-nos do perigo de sermos vítima do inimigo infernal. Satanás tem um verdadeiro pavor deste Nome. “Os demônios têm medo deste Nome, que os faz tremer. E nós podemos afugentá-los, invocando o Nome de Jesus crucificado”. (São Jerônimo).

O nome de Jesus dá vigor aos mártires e a todos os fiéis que lutam pela fé. Fá-los triunfar generosamente de todos os obstáculos, de todas as perseguições e da própria morte. O mundo, à semelhança do demônio, seu soberano, se agita ao ouvir o Nome de Jesus. Queria que não mais se pronunciasse este Nome e cheio de ódio, com o Sinédrio de Jerusalém, até hoje declara: “Ameacemo-los, para que daqui em diante não falem neste nome a homem nenhum”. (At. 4,  17). Mas em virtude deste Santo Nome os eleitos, para a confusão do mundo, operam verdadeiros milagres, segundo a profecia do próprio Salvador: “Em meu nome expulsarão os demônios, falarão novas línguas, manusearão as serpentes e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal; porão as mãos sobre os enfermos e serão curados”. (Mc. 16, 17).

O nome de Jesus produz sempre grande milagre de aplacar as mais furiosas tempestades na alma daqueles que o invocam devotamente. “Há entre vós alguém que se ache triste ? Entre-lhe Jesus no coração e digam-no os lábios; e eis que, ao pronunciar este Nome, as nuvens se dissipam e volta a serenidade. Se entre vós houver quem tenha caído em falta grave e, deixando-se levar pelo desespero, nutrir idéias de suicídio: não voltará ao amor da vida, se invocar este nome da vida ?” (São Bernardo)

Invoquemos, pois, o Santíssimo Nome de Jesus nas tentações, nas perseguições, na aflição. Invoquemo-lo sempre. “Por ele ofereçamos sempre a Deus um sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que  lhe confessam o nome”. (Hebr. 13,  15). “ Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, tudo seja em nome do Senhor Jesus Cristo, rendendo raças por ele a Deus Padre”. (Col. 3,  17). Pronunciemos muitas vezes em vida este Nome de salvação, para que o possamos pronunciar na morte, qual penhor seguro da felicidade eterna.

LADAINHA AO SANTÍSSIMO NOME DE JESUS

 Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.

Pai Celeste, que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus,
tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus,
tende piedade de nós.

Jesus, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
Jesus, Esplendor do Pai, tende piedade de nós.
Jesus, Pureza da luz eterna,
tende piedade de nós.
Jesus, Rei da glória,
tende piedade de nós.
Jesus, Sol de justiça,
tende piedade de nós.
Jesus, Filho da Virgem Maria,
tende piedade de nós.
Jesus, amável,
tende piedade de nós.
Jesus, admirável,
tende piedade de nós.
Jesus, Deus forte,
tende piedade de nós.
Jesus, Pai dos séculos futuros,
tende piedade de nós.
Jesus, poderosíssimo,
tende piedade de nós.
Jesus, pacientíssimo,
tende piedade de nós.
Jesus, obedientíssimo,
tende piedade de nós.
Jesus, manso e humilde de Coração,
tende piedade de nós.
Jesus, Amante da castidade,
tende piedade de nós.
Jesus, repleto de amor por nós,
tende piedade de nós.
Jesus, Deus da paz,
tende piedade de nós.
Jesus, Autor da vida,
tende piedade de nós.
Jesus, Exemplar das virtudes,
tende piedade de nós.
Jesus, Zelador das almas,
tende piedade de nós.
Jesus, nosso Deus,
tende piedade de nós.
Jesus, nosso Refúgio,
tende piedade de nós.
Jesus, Pai dos pobres,
tende piedade de nós.
Jesus, Tesouro dos fiéis,
tende piedade de nós.
Jesus, Bom Pastor,
tende piedade de nós.
Jesus, Luz verdadeira,
tende piedade de nós.
Jesus, Sabedoria eterna,
tende piedade de nós.
Jesus, Bondade infinita,
tende piedade de nós.
Jesus, nosso Caminho e nossa Vida,
tende piedade de nós.
Jesus, Alegria dos Anjos,
tende piedade de nós.
Jesus, Rei dos Patriarcas,
tende piedade de nós.
Jesus, Mestre dos Apóstolos,
tende piedade de nós.
Jesus, Doutor dos Evangelistas,
tende piedade de nós.
Jesus, Fortaleza dos Mártires,
tende piedade de nós.
Jesus, Luz dos Confessores,
tende piedade de nós.
Jesus, Pureza das Virgens,
tende piedade de nós.
Jesus, Coroa de todos os santos,
tende piedade de nós.

Sede-nos propício, perdoai-nos, Jesus.
Sede-nos propício, ouvi-nos, Jesus.

De todo o mal, livrai-nos, Jesus.
De todo o pecado, livrai-nos, Jesus.
Das ciladas do demónio,
livrai-nos, Jesus.
Do espírito de impureza,
livrai-nos, Jesus.
Da morte eterna,
livrai-nos, Jesus.
Do desprezo das vossas inspirações,
livrai-nos, Jesus.
Pelo mistério da vossa Santa Encarnação,
livrai-nos, Jesus.
Pelo vosso Nascimento,
livrai-nos, Jesus.
Pela vossa Infância,
livrai-nos, Jesus.
Pela vossa Vida Divina,
livrai-nos, Jesus.
Pelos vossos trabalhos,
livrai-nos, Jesus.
Pela vossa agonia e paixão,
livrai-nos, Jesus.
Pela vossa cruz e abandono,
livrai-nos, Jesus.
Pelas vossas angústias,
livrai-nos, Jesus.
Pela vossa Morte e sepultura,
livrai-nos, Jesus.
Pela vossa Ressurreição,
livrai-nos, Jesus.
Pela vossa Ascensão,
livrai-nos, Jesus.
Pela instituição da Santíssima Eucaristia,
livrai-nos, Jesus.
Pela vossas alegrias,
livrai-nos, Jesus.
Pela vossa glória,
livrai-nos, Jesus.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo
, perdoai-nos, Jesus.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Jesus.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós, Jesus.
Jesus, ouvi-nos.
Jesus,
atendei-nos.

– Bendito seja o Nome do Senhor.
– Agora e para sempre.

OREMOS: Deus de bondade e misericórdia, concedei-nos a graça de venerar dignamente, neste tempo de preparação para o Santo Natal, o Mistério da Encarnação do vosso amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, a cujo nome santíssimo quisestes que se dobre todo o joelho na terra, nos céus e nos abismos e nele todos os homens se salvem. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amém.

 

Recomendo um livro precioso sobre o Santíssimo Nome de Jesus

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