Morte, drogas, esporte…e agora?

julho 16, 2010

 

Há muito tempo um pensador católico disse: “a nossa civilização caminha para a selvageria”. Na época, muitas vozes acharam forte ou exagerada esta afirmação. Os anos foram passando, e chegamos ao século XXI. De repente, as manchetes falam com uma constância preocupante de assassinatos praticados com a frieza de quem já não sabe mais reconhecer o valor da vida.

De um modo específico, sem manifestar julgamentos, temos um ídolo do futebol envolvido em um dos mais terríveis crimes da história policial do nosso país. O triste é ver unidos juventude, esporte, orgias, drogas, assassinato. A história parece a de sempre: uma criança pobre encontra um mundo novo “cheio de glamour” e “facilidades”. Por que as aspas? O motivo é muito simples: surge a impressão de que o mundo esta aos seus’pés. Não importa se o menino é branco ou negro, bonito ou feio, se tem modos ou não. A fama e o dinheiro passam a ilusão de não existirem estas diferenças e nem limites.

Se o menino não tem um suporte para ingressar nesta nova condição, cairá nos mesmos problemas de tantos ídolos do passado ou presente. `Qual é este suporte? Sem dúvida alguma  a família. Talvez , alguns torçam o nariz afirmando que esse assunto é antiquado, pois a família é um valor ultrapassado. Aí esta justamente a raiz dos graves problemas da nossa sociedade: não existem mais valores saudáveis de referência.

A família é antiquada para a sociedade que já não sabe mais o significado belo e eterno do amor entre um homem e uma mulher. A família é antiquada para aqueles, que não acreditando na vida, incentivam o aborto. A família é antiquada para quem tem um filho com barriga de aluguel. A família é antiquada para quem banaliza o afeto e transforma tudo em uma fria relação sexual sem nenhum comprometimento.

Enquanto existirem pessoas preocupadas em garantir visibilidade às custas da destruiçao da família, não seremos capazes de viver em um mundo mais humano e fraterno. Enquanto existirem “religiosos” preocupados em tirar os símbolos religiosos dos lugares públicos, ao invés de trabalharem pela restauração da dignidade humana e da família, não surgirá a civilização do amor.

O mundo criado por Deus não é esta sociedade selvagem, voltada para a busca desenfreada do poder, sucesso, prazer e dinheiro. Deus criou o homem e a mulher a sua imagem e semelhança. Cada pessoa tem o seu valor e dignidade. Cada pessoa deve ser amada e respeitada. Ninguém tem o direito de manipular, machucar ou tirar a vida de um semelhante. O homem e a mulher foram criados para viver o amor, a verdade, enfim o respeito mútuo. Amar o próximo é amar a Deus.

O homem e a mulher serão capazes de viver esta dimensão divina de suas vidas somente tendo a experiência do amor de Deus. Não estou falando somente de ter uma religião. A experiência de Deus é algo que antecede a religião. A religião é uma consequência da resposta ao amor de Deus. Quando falta o amor ficamos apegados ao exterior da religião, não vivendo o essencial. Deus é amor! O apóstolo São Paulo revela em  1Cor 13,8:” A caridade jamais acabará. As profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência findará …”. O ser humano sem o amor de Deus se brutaliza. Tiremos Deus e surgirão falsos deuses.

Se reconhecemos o homem e a mulher como pessoas criadas por Deus, o fruto deste amor é a família. É através dela que vivemos de modo visível o projeto de Deus. A família é a alavanca para uma sociedade melhor. É necessário ajudar as crianças, jovens e adultos a descobrirem este significado sagrado da importância da família.

A família construída na rocha do amor de Deus é capaz de superar todas as dificuldades e formar pessoas com valores saudáveis para um mundo melhor.

Oração da família

Senhor, nosso Pai,
Tu quiseste que o Teu Filho
nascesse e crescesse
no seio de uma família como as outras.
Assim, ao longo de uma vida simples,
Ele aprendeu, pouco a pouco
de José e de Maria
a tornar Se adulto
e a descobrir a sua missão.

Por isso, Senhor, nosso Pai,
nós Te pedimos que as famílias de hoje
sejam fortes, estáveis e vivam em harmonia.
Que cada um atinja o pleno desenvolvimento
na alegria de estar juntos, até ao perdão.
Que elas escutem todos os apelos
vindos de fora.

Pai, tu que és todo Ternura,
concede às famílias feridas pela doença,
o luto, a divisão ou a ruptura,
a coragem de continuarem a crescer
e a esperar em Ti,
sem nunca perderem a confiança um no outro.

Que cada família acolha o Teu Espírito
e, dia após dia, d’Ele receba a inspiração.
Isto é vital para a Igreja.
Isto é vital para o mundo.

   
   
     
     
     
   
   
     
     
   
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As mãos não estão amarradas

abril 30, 2010

“O homem que possui a mente enamorada de Deus tem uma luz no coração e pode ver o invisível”

                                                                                                                                                                                         Santo Antão

            Muitas pessoas perdem diante da vida, o foco de um destino maravilhoso. Por que acontece isso? O motivo é muito simples: se deixam levar pelas circunstâncias do momento. E diante da aparente dificuldade, adotam a atitude dos derrotados: “Não consigo, não posso, não é para mim, é melhor desistir.” Estas pessoas tem a impressão de estarem com as mãos amarradas.

         Quem coloca as cordas em nossas mãos não é Deus. Ele nos criou livres e capazes para viver com sabedoria. As cordas são o fruto das inúmeras escolhas erradas, nas mais diversas situações da vida. Pare um pouco para se examinar, e pergunte a si mesmo: Por que estou sofrendo? Qual foi a minha reação? Busquei a inspiração e consolo de Deus? Creio na bondade de Deus, e também no seu poder para restaurar a minha vida?

         Desde o início da criação o homem e a mulher foram desafiados a escolher entre o bem e o mal. A serpente se aproximou de Eva com uma provocação: “É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?”(Gn 3,1). E ela respondeu: “Podemos comer do fruto das árvores do jardim.   Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: Vós não comereis dele, nem o tocareis, para que não morrais.”(Gn 3,2-3). Diante da insistência da serpente, Eva tomou a decisão errada.

         De quem foi a culpa? Da serpente ou de Eva? A serpente propôs, quem aceitou foi Eva. As conseqüências foram desastrosas: Adão pecou; entraram em cena a malícia, inveja sofrimento, dor, doença, morte…Diante de um quadro tão dramático de infidelidade, Deus não abandonou nossos primeiros pais ao seu próprio destino. E nem poderia ser diferente: Deus é amor, Nele não existe o mal. Adão e Eva perderam o paraíso, mas Deus continuou fiel ao propósito de levá-los à felicidade. Ainda no paraíso prometeu derrotar a serpente: “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais e feras dos campos; andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida.”(Gn 3,14). Esta maravilha aconteceu na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Eis porque o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do demônio.”(1Jo 3,8).

        Não sei quais as lutas ou inimigos, que você esta enfrentando agora, capazes de dar a sensação de estarem suas  mãos amarradas. Dependência de algum vício? Trauma causado por erros pessoais ou outras pessoas? Casamento desfeito? Sonhos não realizados?  Frustração profissional? Decepção? Saúde? Situação financeira? O importante é crer: você pode reagir. São Paulo aponta o caminho: “Sei viver na penúria, e sei também viver na abundância. Estou acostumado a todas as vicissitudes: a ter fartura e a passar fome, a ter abundância e a padecer necessidade. Tudo posso naquele que me conforta.”(Flp 4,12-13).

        Não tenha medo de admitir a sua fraqueza para enfrentar a grandeza dos seus problemas. Aproxime-se de Deus confiantemente e diga: “Senhor Deus de amor, sinto as minhas mãos amarradas, ajuda-me!” Olhe para a cruz de Cristo. Como Ele esta? De braços abertos, para acolher todos os que necessitam de sua infinita misericórdia. Jesus Cristo tem o poder para desatar todos os nós da corda dos problemas, que amarram a sua vida.

        A partir de hoje grave no coração a certeza de que todos sofrem derrotas e perdas, o importante é não se entregar. Reaja com a força do amor de Deus. Um novo dia de oportunidades esta a sua frente. Permita ao Espírito Santo dar a você a visão de Deus para a sua vida. Você descobrirá uma nova força para também dizer: “Tudo posso naquele que me conforta”.


Olha aí o carnaval!

fevereiro 12, 2010

Olha aí o carnaval!

Um dia destes uma pessoa perguntou a queima roupa: Padre o cristão pode participar dos festejos de carnaval? O ponto de partida para a resposta esta em examinar as Sagradas Escrituras, e nela vamos ver que Deus não é contra a alegria de uma festa. O próprio Jesus ia a festas, como por exemplo nas bodas de Caná (cf. Jo 2,1-11).

A questão esta em ter a coragem para responder a uma pergunta: Como é festejado o carnaval atualmente? Para ajudar a responder, quero lembrar de uma pessoa muito querida. O nome dela era D. Aparecida, foi para mim uma segunda mãe, morou durante muitos anos comigo na casa paroquial. Nesta época, ela contava como era o carnaval de rua em São Paulo. As famílias a pé, ou nos carros, saiam fantasiadas, jogando confetes e serpentinas e cantarolando a marchinha daquele ano. Tudo era pura diversão entre amigos.

Aos poucos a festa foi se transformando. Saiu das ruas, e foi para os salões. Surgem os concursos de fantasias. Aí ainda se conservou, durante um certo tempo, uma dimensão familiar.

Os costumes foram mudando. O corpo e o sexo passaram a ser exaltados e banalizados. O abuso do álcool e drogas se infiltraram, em muitos ambientes carnavalescos. Em algumas escolas de samba existe o financiamento dos bicheiros e traficantes de drogas. Não quero generalizar, existem exceções.

Não sou contra a alegria do carnaval, mas como o apóstolo Paulo, em I Cor 6,12, digo: “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.”

Oração ao Espírito Santo para pedir discernimento

Tu que por tua luz maravilhosa separas a verdade do erro,

ajuda-nos a discernir o que é verdadeiro.

Dissipa nossas ilusões e não nos deixeis enganar pelas aparências;

mostra-nos a realidade.

Liberta-nos de toda a mentira,

da que dizemos aos outros e da que,

mais grave ainda, dizemos a nós mesmos.

Ensina-nos a desvendar as tentações logo que se apresentam,

a desmascarar-lhes a falsa e vã sedução.

Faze-nos reconhecer a linguagem autêntica de Deus no fundo de nossa alma,

e ajuda-nos a distingui-la de qualquer outra voz.

Indica-nos a vontade divina em todas as circunstâncias de nossa vida,

para que possamos tomar as devidas decisões.

Impele-nos a perceber nos acontecimentos os sinais de Deus,

os apelos que Ele nos dirige e as lições que nos quer dar.

Torna-nos aptos a perceber o que nos sugeres,

e não perder nenhuma de tuas inspirações.

 Concede-nos a sabedoria sobrenatural

que nos faça descobrir as exigências da caridade e

compreender o que reclama o amor generoso.

Eleva, sobretudo o nosso olhar para que ele possa discernir o próprio Deus,

por toda a parte em que sua presença nos é dada e

por toda a parte em que sua ação nos acompanha e nos toca.

Pausa para sorrir

Um garoto foi confessar e disse ao padre:

“Passei por um vinhedo e roubei seis gomos de uva”

E o padre intrigado, perguntou:

“Por que seis?”

E o menino explica:

“E muito simples, aprendi no catecismo sobre os mandamentos: sétimo não roubar.”