Os malefícios existem?

agosto 19, 2011

Uma das dúvidas mais comuns de muitos cristãos é: existe a possibilidade de uma pessoa realizar uma obra do mal para prejudicar alguém? Lamentavelmente, a resposta é afirmativa.Trata-se da realidade dos malefícios.

 O malefício é o desejo de provocar o mal em uma pessoa, com a intervenção do demônio. Se a pessoa não é capaz de agir diretamente, procura feiticeiros ou magos.

Nunca como em outros tempos, cresceu tanto a magia, ocultismo, bruxaria, culto do diabo, cartomantes… Alguns vão a estes lugares sem má intenção, fazem isto por não conhecerem quem de fato é Deus.

 O alerta de Deus, sobre o que sucede a quem se dá a estas práticas: “Não vos dirijais aos espíritas nem aos adivinhos: não os consulteis, para que não sejais contaminados por eles. Eu sou o Senhor, vosso Deus.”( Lv 19,31). Estas palavras revelam que existe o risco de expor-se à influência maligna ou possessão para quem busca a magia, seitas satânicas, consulta aos mortos, adivinhação do futuro…

 Por outro lado, existem aqueles que buscam os magos e feiticeiros, com o propósito já definido: querem prejudicar a vida pessoal, familiar ou profissional de alguém.

Por meio do malefício desejam separar um casal, e talvez atrair uma das pessoas para si, trazer tristeza, doenças, problemas financeiros, e inclusive a própria morte.

 Os meios para alcançar este fim são os mais diferentes:

 – levar aos feiticeiros ou magos artigos pessoais ou fotografia da pessoa a quem se deseja fazer o mal.

– dar objetos, alimento, líquidos consagrados ao maligno, ou colocá-los em algum lugar sem que a pessoa saiba.

 O malefício tem espaço para agir onde encontra o pecado, medo e ignorância. Em 1 Pdr 5,8-9 lemos: “Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar.Resisti-lhe fortes na fé…” O demônio somente agirá se encontrar a brecha para entrar.

 A vigilância começa com o que vemos, ouvimos,falamos. O pecado vem da desobediência a Deus, e o medo da falta de conhecimento e experiência do amor de Deus.

 Também é importante não abrir espaço para nenhum tipo de superstição. É necessário acreditar que Deus é capaz de cuidar de nós.

 Por isso, a oração e a Palavra de Deus tem que ser o alimento diário. A confissão o escudo para não permitir que o demônio tenha como nos acusar.Ter na Eucaristia o encontro com Jesus, fonte de todas as  graças. E sem dúvida alguma contar com a intercessão da doce Virgem Maria, por meio da devoção do santo terço.

 Um conselho importante: conservar em casa e trazer junto de si objetos abençoados pela Igreja (crucifixo, medalhas, escapulário..)

 Podemos acrescentar o uso de sacramentais  como: Água, óleo e sal bentos.

 A última questão:

 O que fazer com objetos consagrados ao maligno?

 Um gesto muito simples: Aspergi-los com água benta e queimá-los fora de casa. Enquanto estiverem queimando pedir a proteção do sangue de Jesus. A seguir jogar as cinzas em água corrente, e lavar as mãos com água benta.

 Oração Contra todos os Malefícios

Senhor tende piedade de mim
Senhor tende piedade de mim

Cristo tende piedade de mim
Cristo tende piedade de mim

Senhor tende piedade de mim
Senhor tende piedade de mim

Deus de Todo Poder, Soberano dos séculos, Tu que estás em todos os lugares, e conheces tudo; Tu que fizeste tudo e que tudo transformas com a tua soberana vontade; Tu que na Babilônia salvaste os três jovens da fornalha ardente ficando entre eles e o fogo; Tu que és médico e remédio das nossas vidas; Tu que és auxílio de todos os que te buscam de todo coração, torna em vão, afasta e põe em fuga cada força diabólica, cada presença e trama satânica, assim como cada influência maligna, maldade ou desejo de mal vindo de pessoas maléficas. Faz que em troca da inveja e dos malefícios eu receba a abundância dos bens, força, sucesso e caridade;

Tu, Senhor que amas os homens, estende as tuas mãos poderosas e os teus braços altíssimos para socorrer-me e visitar-me com a tua proteção e bênção.

Manda o teu anjo de paz acampar em minha volta para defender-me de toda força ruim, veneno e maldade das pessoas invejosas.

Na certeza do teu auxílio posso com gratidão dizer:

“Não terei medo do mal porque sei que estás comigo, Tu és o meu Deus, minha força, Senhor poderoso, Senhor da paz e proteção para sempre.”

Tudo isso eu também te apresento pela intercessão da Virgem Maria, dos arcanjos São Miguel, Gabriel e Rafael e de todos os santos.
Amém.


A importância do Batismo no Espírito Santo

julho 22, 2011

O acontecimento decisivo para a Igreja iniciar a missão recebida de Jesus deu-se por ocasião do seu batismo no Espírito. Todos os presentes no cenáculo de Jerusalém foram mergulhados ou imersos no poder do Espírito Santo. Esta experiência pentecostal passará a ser prática normal para a vida e crescimento da Igreja. O ensino bíblico e também da Igreja primitiva, não deixa margens para dúvidas: a vida cristã autêntica começa com a decisão de seguir a Jesus, que para se manter necessita do dom do Espírito Santo. O motivo é muito simples: Jesus é aquele “ que batiza no Espírito Santo” (Mt 3,11; Mc 1,8; Lc 3,16; Jo 1,33). A vinda do Espírito Santo em Pentecostes abriu as portas do cenáculo para a Igreja ser apresentada para o mundo com impacto “ veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso…”(Atos 2,2). Neste dia cumpriram-se as promessas de Jesus:

 “ Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto.”(Lc 24,49);

porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui a poucos dias.”(Atos 1,5).

Nestas duas pequenas passagens observamos como Jesus fez questão de indicar para os discípulos a importância de estar “cheios do Espírito”. Ele não quer somente seguidores convencidos intelectualmente, bem preparados para executar trabalhos ou com boa vontade. 

O revestimento da força do alto ou o batismo no Espírito é a experiência de ser mergulhado no amor e poder de Deus, trazendo para a pessoa uma transformação interior marcante e uma coragem nova para anunciar o Evangelho: “ mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo.”(Atos 1,8).

Pentecostes não foi um fim em si mesmo, isto é, uma experiência somente para aquele momento do início da Igreja. Pedro afirma à multidão reunida diante do cenáculo : “ a promessa é para vós, para os vossos filhos e para todos os que ouvirem de longe os apelos do Senhor, nosso Deus.” Atos 2,39). Estas palavras demonstram a consciência que para viver de um modo eficaz a fé, como autêntico discípulo de Cristo, é necessária esta plenitude do Espírito.


O operário alcoólatra que virou santo

julho 15, 2011

Matt Talbot nasceu na pobreza e começou a trabalhar como operário em Dublín, Irlanda, sendo ainda um menino. Não teve acesso a nenhum tipo de instrução. O ambiente familiar era dominado pelo vicio de beber do pai e alguns de seus irmãos. A mãe era uma fervorosa católica, que sofria em ver o estado de sua família.

Aos 12 anos começa a trabalhar em um local onde eram engarrrafadas cervejas. Aí começa o vício do álcool. Aos 16 anos era um alcoólatra crônico, que tinha como único prazer beber. Ao mesmo tempo, começou a se afastar de toda a prática religiosa. A mãe e uma das irmãs jamais o abandonaram, acreditavam que um dia Deus operaria um milagre em sua vida.

 O pai na tentativa de afastá-lo do vício da cerveja, o levou para trabalhar junto com ele nas docas do porto, onde, entre outras coisas, se ocupava com a importação diferentes bebidas alcóolicas. Foi o mesmo que cair na panela do diabo, pois da cerveja passou para as bebidas fortes.

 Quantas vezes entrava em casa sem os sapatos, porque os havia trocado por uma garrafa de bebida. Quando despertava de sua bebedeira sentia uma profunda vergonha ante Deus. Mas cada vez que chegava o dia do pagamento, ao ver-se com dinheiro, não tinha a força de vontade e sucumbia em  tentação. Seu alcoolismo chegou a ser crônico. Vendeu tudo o que tinha para sustentar  o seu vício.

 Repentinamente, quando já havia completado 28 anos, e já se notavam os sinais inconfundíveis da sua dependência ao álcool, tomou a decisão de abandonar o vício. Neste dia, jogou pela janela um copo com bebida e jurou nunca mais beber. Ninguém jamais soube os motivos desta sua inesperada transformação. Certamente não foi um mero cansaço ou repugnância, nem o medo da dependência física, mas uma ação profunda da graça de Deus.

 O dia de sua libertação da escravidão do vício do álcool ficou guardado para sempre em sua memória. Vestiu a sua melhor roupa, e se dirige ao Colégio de Santa Cruz, onde pede para falar com um padre. Faz uma confissão. O sacerdote o aconselha a fazer o seu voto por três meses. No dia seguinte participa da missa, comunga e sai renovado pela presença de Jesus. Matt reconhece na comunhão diária  o meio para receber a força espiritual para manter a decisão de não mais beber.

 O momento mais difícil para manter a sobriedade é a tarde, depois do trabalho. Para evitar a tentação, realiza passeios pela cidade. Não obstante, um dia entra em um bar cheio clientes. O garçom parece ignorar Matt, sentindo-se ofendido por essa desatenção, sai a toda pressa da sala, decidido a não pôr nunca mais os pés em um bar.

 Matt se dá conta de outra dificuldade: o álcool debilitou sua saúde e se cansa nos passeios para evitar a tentação dos bares. Passa então também a entrar em uma igreja e, de joelhos ante do sacrário, fica a rezar, suplicando a Deus que o fortaleça. Desse modo adquire o costume de freqüentar a casa de Deus, e visitar Jesus Sacramentado.

 Os três meses parecem intermináveis, pois as conseqüências da falta de álcool (alucinações, depressão e náuseas) tornam  esse tempo um verdadeiro calvário. Em alguns momentos, a antiga dependência torna-se violenta, como se fosse impossível resistir ao desejo de beber novamente. Usa como remédio lutar desesperadamente, prolongando suas orações. Um dia, voltando para casa desanimado, diz com tristeza a sua mãe: «É inútil, mamãe, quando se cumprirem os três meses voltarei a beber…». Ela como era uma mulher profundamente religiosa o conforta e anima a continuar rezando. Ele segue o conselho ao pé da letra, toma gosto pela oração e encontra nela sua salvação.

 Efetivamente, a oração ajuda a que saiamos de situações humanamente desesperadas. Para Deus tudo é possível (Mt 19, 26). São Alfonso María do Ligorio, doutor da Igreja, afirma: «A graça de orar se concede a todo mundo, de sorte que se alguém se perde carece de desculpa… Orem, orem, orem, e não abandonem nunca a oração, pois quem ora se salva certamente, quem não ora se condena certamente» (cf. CEC, 2744).

 Cumpridos os três meses, surpreso de ter «agüentado o gole», Matt renova seu voto por seis meses mais, ao término dos quais se comprometerá para sempre a não beber mais álcool. A oração da mãe e da irmã alcançou a graça implorada. A mudança foi total na vida de Matt, não se libertou somente do vício terrível do álcool, mas foi renovado em sua fé, voltando para Deus e a Igreja com entusiasmo.

 Pouco a pouco aprende a escrever para conhecer a doutrina cristã e ler os livros da vida dos grandes santos para poder crescer no seu amor a Deus. O sorriso nos lábios e a sua humildade o transformaram em um apóstolo no meio dos outros operários. Pelo seu exemplo de vida ajudou muitos colegas a saírem do vício e também a voltarem para a prática da religião.

 As armas para se manter firme na nova vida de filho de Deus foram  durante a vida inteira a Eucaristia diária, oração intensa, leitura espiritual, devoção mariana e dedicação ao trabalho. Sua jornada começava às duas da madrugada. De joelhos rezava até que os sinos chamavam para a missa; depois ia para trabalho e chegava entre os primeiros. Apesar de ganhar pouco ainda compartilhava com os mais pobres. Durante muitas noites cuidava algum amigo doente.

 Obteve a vitória. Viveu por 40 anos em completa sobriedade em união com Cristo até sua morte. Ele viveu intensamente a palavra do Senhor: “… o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam.” (Mt. 11,12). Mas não se esqueceu dos que sofrem este terrível vício. “Nunca despreze a um homem que não pode deixar de beber”, disse a sua irmã em uma ocasião, “é mas fácil sair do inferno”.

 Matt Talbot é um modelo para todos os homens. Em um tempo em que não existiam comunidades de recuperação ou terapêuticas, ele somente com a força da fé foi capaz de vencer o vício. Às vítimas do alcoolismo ou da dependência de drogas, como também qualquer outro problema,   demonstra com seu exemplo que, com a graça de Deus, é possível se libertar de qualquer escravidão.

Este é um capítulo do livro ELES ENCONTRARAM A FELICIDADE, E VOCÊ?   http://www.lojaencontrocomcristo.com.br/produtos_descricao.asp?lang=pt_BR&codigo_produto=251

 


Vença as crises

julho 9, 2011

 Uma das maiores frustrações de um padre é ver ovelhas de seu rebanho viverem o seu compromisso com Cristo com entusiasmo e dedicação, e de repente, diante dos problemas da vida, desabarem como um prédio que não tem bom alicerce. Fica a impressão que a vida de oração, a participação nos sacramentos, de um modo especial a Eucaristia e Reconciliação, o engajamentos pastoral não são capazes de dar a força para reagir diante das dificuldades da vida. Quantos cristãos de linha de frente no meio da batalha ficam machucados emocionalmente, e permanecem por muito tempo ou para sempre nesta triste situação.

 Surge uma questão importante: Qual é a causa desta situação tão dolorosa que afeta a caminhada cristã de tantas pessoas?  Uma das principais é a ilusão de que cristão não passa por crises. Quantas vezes ouvi pessoas afirmando para os outros ou para si próprias: “ O verdadeiro cristão não fica deprimido, isso é falta de confiança em Deus.”. Diante desta afirmação surge o sentimento de culpa que bloqueia toda reação positiva. Também é comum o questionamento “ Como isso foi acontecer comigo?”. Aqueles mais pessimistas concluem: “ Deus esta me castigando por alguma coisa errada.”

A conseqüência da dificuldade em lidar com os problemas é tentar viver a ilusão que nada esta acontecendo, reprimindo os sentimentos e usar uma série de “técnicas pseudo-cristãs” sem resultado algum. Significa fingir que tudo esta bem, como se fosse algo vergonhoso reconhecer a própria fraqueza ou erro. Por meio desta atitude ignora-se uma verdade espiritual importante, ensinada pelo apóstolo Paulo em 1Cor 12,9b: “ prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo.”

 Não se trata de cair na atitude simplista de dizer “ errei porque sou humano”, “ eu não mereço esta situação, vou desistir de tudo” ou culpar alguém. É preciso  ter presente que somos seres em constante mudança. Não importa se estas mudanças surjam de questionamentos interiores, relacionamento marido e mulher, pais e filhos, parentes, namoro, ambiente profissional, igreja, com as pessoas em geral, ou ainda de algum vício, doença ou da própria morte. Em qualquer um dos casos é necessário aprender a lidar com o conflito, tendo sempre presente a misericórdia de Deus.

 É muito fácil buscar “soluções mágicas” e “instantâneas” bem a moda da nossa sociedade de consumo. A nossa vida emocional-afetiva não é como algo errado escrito no computador que basta teclar delete para apagar. Também é diferente de uma lata descartável de refrigerante, que depois de usada é amassada, e jogada fora. A mente, o coração, os sentimentos e o corpo nos pregam surpresas quando somos expostos às crises da vida. Nem sempre , em um primeiro momento, reagimos conforme nossas crenças. “Encontro, pois, em mim esta lei: quando quero fazer o bem o que se me depara é o mal.”(Rm 7,21).

Quantas vezes perdemos as rédeas dos problemas, e como conseqüência criamos bloqueios emocionais que impedem uma solução adequada. Aí entram em cena a ansiedade, depressão, sentimento de culpa, complexo de rejeição, raiva, amargura… dificultando mais ainda a possibilidade de enfrentar a situação.

Existe saída? Sim. Basta a disposição para aprender a lidar com as crises de acordo com os ensinamentos de Jesus. “ No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo.”(Jo 16,33b). A palavra chave é : Coragem. Não desistir de si mesmo, das pessoas ou da própria vida. O importante é não ter medo de lidar com os problemas e nem de errar na busca da solução. Uma coisa é certa: Deus jamais nos abandona, Ele nos entende e somente Ele tem o que realmente necessitamos.

 

 

 Oração diante das crises

 

Senhor, ensina-me a entregar-Vos com toda confiança,

 

tudo o que sou, sinto e tenho.

 

 Neste momento desejo Vos devolver a direção de tudo

 

o que se encontra em meus cuidados,

 

e Vos agradecer por ser um de vossos administradores,

 

pois Sois dono de todo o Universo,

 

de minha vida, de tudo o que tenho.

 

Ajudai-me a nunca sair de Vossos propósitos,

 

colocar sempre meus problemas em Vossas mãos

 

e assim descansar meu coração.

 

Que nos momentos em que me vier a ansiedade

 

tão própria de minha fraqueza humana,

 

fortalecei-me, Senhor,

 

dando-me a graça de lembrar-me

 

sempre destas Vossas santas Palavras:

 

“Confiai vossas preocupações,

 

porque Ele tem cuidado de Vós”.

Obrigada(o), Senhor.

Clip_Adriana_-_Abraço_de_Pai 

 

 

 


Confie em Deus

fevereiro 26, 2011

“não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não é mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes? Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas?”  (Mt 6,25-26)

Estas palavras parecem simples de mais e fora da realidade. A primeira vista, tem-se a impressão de que Jesus não valoriza a importância do estudo, trabalho…enfim, os esforços por uma condição de vida melhor. E na verdade, Ele usou um exemplo da natureza – as aves e flores –para mostrar como Deus cuida com amor da Sua criação. Deus provê água, luz e calor para sustentar tudo o que vive e respira.

Se Ele procede assim com as aves e flores, muito mais podemos espera nós, que somos criados a sua imagem e semelhança. Ele tem a provisão para as nossas necessidades materiais e físicas, e também para nossa mente, coração e alma.

Nós existimos para Deus. A nossa vida esta em seu coração. Se entendêssemos a grandeza e profundidade do seu amor por nós, não viveríamos longe Dele, e nem diminuiríamos o nosso fervor.

O que fazer?

Não se trata de algo fácil. O mundo, com todas as suas preocupações, tenta roubar a nossa fé e confiança na ajuda de Deus. No lugar coloca a sensação de medo

em relação ao futuro. E o resultado é nos tornar escravos das coisas e distantes de Deus.

Qual é a saída?

Primeiro passo: Mt 6,33

“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo.”

Significa priorizar Deus em nossa vida, de modo que nossos pensamentos estejam voltados para Sua vontade, e nossa vida reflita a confiança nos seus cuidados amorosos. A questão é: O que é realmente importante para nós: pessoas, metas, bens materiais, diversão, esporte…? Se não formos firmes em dar a Deus o primeiro lugar, qualquer outro interesse ocupa rapidamente o Seu lugar.

Segundo Passo: Mt 6,34

“Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado. ”

Planejar o futuro é importante e necessário. A dedicação ao estudo é fundamental. O empenho no trabalho é necessário. Lutar por uma condição de vida melhor não tem nada de errado. Nem Sempre é fácil estabelecer a diferença entre planejar e inquietar-se. Planejar significa traçar uma meta confiando na direção e cuidados de Deus. Inquietar-se é permitir que a ansiedade de conseguir coisas ou agradar pessoas, interfira em nosso relacionamento com Deus. A nossa parte é colocar o melhor de nós em tudo, a cada dia. Deus se encarregará dos resultados. Ele sabe o que estamos necessitando. Ele jamais nos desamparará.

Diante da vida somente existem dois caminhos:

– Confiar no poder e amor de Deus,

– Ou entregar-se as preocupações e ser infeliz.

Rezemos:

“Senhor Jesus, livra-me de preocupações desnecessárias

e ajuda-me a confiar no poder e amor do Pai.”

Amém

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Deus existe!

janeiro 27, 2011
Quem era André Frossard?  Ele próprio conta a sua história num livro intitulado “Deus existe. Eu o encontrei . Este livro deu a volta ao mundo inteiro e suscitou entusiasmo e desprezo. Como sempre! Há quem veja e há quem não queira ver; há quem ouça e há quem não queira ouvir. Não há por que nos admiremos.

André Frossard era o filho do primeiro secretário do Partido Comunista Francês: a sua família era ateia e afastada de toda a problemática religiosa. Observa com fina ironia: «Na nossa casa, nem por distracção se aflorava o assunto “religião”. Éramos ateus perfeitos, daqueles que nunca se interrogam sobre o seu ateísmo.»

No entanto, aos vinte anos de idade, André Frossard tem um extraordinário e inefável encontro com Deus. Ele começa assim o relato memorável do encontro com Deus:

«Agora, acontece que, por um acaso extraordinário, conheci a verdade sobre a mais debatida das causas e sobre o mais antigo dos problemas: Deus existe. E eu encontrei-o!
Encontrei-o por combinação – antes deveria dizer: por acaso, se o acaso tivesse algo a ver com esta espécie de aventura. – Encontrei-o com o assombro e aturdimento de quem, ao virar a esquina habitual da costumada rua de Paris, visse diante dos olhos, em vez da praça e do cruzamento de todos os dias, um mar inesperado que se estende até ao infinito, lambendo com as suas ondas as paredes das casas. Um momento de espanto que ainda dura. Nunca me habituei à existência de Deus.»

Ele prossegue assim o relato da sua experiência:

«Ás cinco e dez de uma tarde (era o dia 8 de Julho de 1937), entrei numa capela do bairro latino de Paris para procurar um amigo e saí às cinco e um quarto, com um amigo que não era deste mundo. Entrei céptico e ateu (…) e mais que céptico e ateu, entrei indiferente e tão preocupado com outras coisas do que com um Deus que eu nem sequer pensava em negar (…)

Em pé junto da porta, busquei com o olhar o meu amigo e não consegui reconhecê-lo (…)
O meu olhar passa da sombra à luz, retorna aos fiéis, sem ir atrás de nenhum pensamento, vai dos fiéis às religiosas imóveis, das religiosas ao altar e, depois, não sei porquê, detém-se na segunda vela que arde à esquerda da cruz. Não na primeira nem na terceira: na segunda. E, então, de repente, desencadeia-se uma série de prodígios que com inexorável violência desmontará num instante o ser absurdo que eu sou, para dar vida ao rapaz estupefacto que nunca fui.
Primeiro surgem-me estas palavras “vida espiritual.”
Não ditas nem formadas por mim próprio. Ouvidas como se fossem pronunciadas ao meu lado em surdina por uma pessoa que está a ver o que eu ainda não vejo. (…)

Logo que a última sílaba deste prelúdio sussurrado atinge o fio da consciência, começa uma avalancha ao contrário. Não digo que o céu se abre; não se abre, atira-se, eleva-se de repente, silenciosa fulguração(…) Um cristal indestrutível, de uma transparência infinita, de uma luminosidade quase insustentável (um pouco mais ter-me-ia aniquilado) e azulada, um mundo, outro mundo de um esplendor e de uma densidade que atiram de chofre o nosso para as sombras frágeis dos sonhos irrealizados. (…)
 

Há uma ordem, no universo, e no cume, para lá deste véu de neblina resplandecente há a evidência de Deus (…) Um Deus cuja doçura sinto, uma doçura activa, desconcertante, que vai além de toda violência, capaz de quebrar a pedra mais dura e, mais duro ainda que a pedra, o coração humano.
A sua irrupção transbordante e total, é acompanhada por uma alegria que é a exultação de quem foi salvo, a alegria do náufrago que foi recolhido a tempo.(…)
Estas sensações, que tenho dificuldade de traduzir na linguagem inadequada das ideias e das imagens, são simultâneas (…)
Tudo é dominado pela presença (…) daquele cujo nome nunca poderei escrever sem o receio de ferir a sua ternura, aquele diante do qual tive a sorte de ser um filho perdoado, que se esforça para aprender que tudo é dom.

Então, uma oração comovida sela o relato da conversão de Frossard:
«Amor [Deus], para falar de ti será demasiado curta toda a eternidade»

Depois de escrever este relato André Frossard apercebe-se da enormidade das suas palavras e apressa-se a precisar:

«Não nego o que uma conversão como esta, pela sua característica de instantaneidade imprevista, pode ter de chocante e até inadmissíevl, para os espíritos contemporâneos que preferem as vias do racionalismo aos raios místicos e que apreciam cada vez menos as intervenções do divino na vida quotidiana.»

Fonte: Histórias de conversões no século XX, mons. Angelo Comastri, Paulinas, Portugal.

 

Orai sem cessar

janeiro 13, 2011

” Que ninguém pense, meus caros irmãos em Cristo, que o dever de orar incessantemente é somente dos sacerdotes e dos monges, mas não dos leigos. Não, não; todos nós, cristãos, temos o dever de estarmos sempre em estado de oração. Ponderem no que o santo Patriarca de Constantinopla, Filoteu, escreveu na vida de São Gregório de Tessalônica.

Este hierarca tinha um amigo amado cujo nome era Jó, um homem simples mas de boas obras. Certa vez eles estavam conversando, e o bispo disse que todos os cristãos deveriam sempre se esforçar em oração, e deveriam orar constantemente, conforme o Apóstolo Paulo exortara: Orai sem cessar (I Tessalonicenses 5:17); e conforme o Profeta David dissera de si próprio [a despeito de ser rei e de governar todo um reino]: Tenho contemplado o Senhor sempre diante de mim (Salmo 15:8), isto é, com meu olho da mente eu sempre vejo o Senhor diante de mim em oração. E São Gregório, o Teólogo, ensina a todos os cristãos que eles devem invocar o nome de Deus mais vezes do que respiram.

Tendo dito isto e muito mais, o hierarca ainda acrescentou a seu amigo Jó que não somente devemos obedecer ao mandamento dos santos, isto é, de sempre orar, mas que devemos ensinar aos demais a fazer o mesmo; a todos, sem distinção – monges e leigos, cultos e incultos, homens e mulheres, e crianças – devemos exortá-los a orar sem cessar.

O velho Jó, ao ouvir essas coisas, achou que se tratava de inovações, e começou a argumentar, dizendo ao hierarca que orar incessantemente era tarefa de ascetas e monges, ‘que viviam fora do mundo e de suas preocupações, e não de leigos, que possuem muitas preocupações e atividades’. O hierarca trouxe ainda mais evidências em favor desta verdade e novas provas irrefutáveis, mas, mesmo assim, o velho Jó não se deixou convencer. Então, a fim de evitar contendas e discussões, o santo Gregório calou-se, e cada um foi para sua cela.

Mais tarde, quando Jó estava orando sozinho em sua cela, apareceu-lhe um anjo enviado de Deus, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade (I Timóteo 2:4), e repreendeu-o por ter discutido com São Gregório e por ter negado uma verdade tão evidente, da qual depende a salvação dos cristãos. Ele anunciou do próprio Deus que, no futuro, ele deveria prestar atenção e tomar cuidado para não dizer nada contrário a esta questão salvífica e para não resistir à vontade de Deus, e que até mesmo em sua mente ele não deveria sustentar qualquer pensamento contrário a isto, não se permitindo pensar em nada que negue o que São Gregório havia dito. Então, o simples e velho Jó correu até São Gregório e, ajoelhando-se, pediu perdão pela discussão, revelando-lhe tudo o que o anjo de Deus havia dito.

Ora, vedes, meus irmãos, como todos os cristãos, do menor ao maior, devem sempre orar dentro de seus corações: “Senhor Jesus Cristo, tem piedade de mim!”, a fim de que suas mentes e corações sempre tenham o hábito de pronunciar estas santas palavras. Ponderem o quanto isso é agradável a Deus e o bem que isso gera, quando, em Seu infinito amor pela humanidade, Ele enviou um anjo do céu para revelar isso a nós, de maneira que ninguém mais tenha dúvidas a respeito.

Mas o que dizem os leigos? “Estamos sobrecarregados de coisas para fazer e preocupações mundanas; como conseguiremos orar sem cessar?”

Eu lhes responderia que Deus não nos manda fazer o impossível, mas somente aquilo que somos capazes de fazer. E, portanto, isso pode ser feito por qualquer um que busque fervorosamente a salvação de sua alma. Se isso fosse impossível, então seria impossível a qualquer um que vivesse no mundo e não haveria tantas pessoas, em meio ao mundo, que estivessem rezando incessantemente como se deve. Entre estas muitas pessoas, podemos citar o exemplo do pai de São Gregório de Tessalônica, o impressionante Constantino, que, apesar de estar envolvido na vida da corte, sendo chamado de pai e tutor do Imperador Andrônico e ocupado diariamente com questões estatais e familiares – ele tinha uma grande propriedade com muitos servos, uma esposa e filhos – apensar de tudo isso, ele era tão inseparável de Deus, e tão apegado à oração mental incessante, que frequentemente se esquecia o que o Imperador e seus ministros estavam discutindo e frequentemente lhes perguntava a mesma coisa. Os ministros, sem entender o porquê das perguntas insistentes, irritavam-se e o reprovavam por ser tão esquecido e por molestar o Imperador com perguntas repetitivas. Mas o Imperador, sabendo a razão por trás disso tudo, vinha em sua defesa e dizia: “Constantino tem seus próprios pensamentos que, às vezes, não lhe permitem prestar total atenção ao que estamos dizendo”.

Há inúmeras pessoas que, vivendo no mundo, se entregaram à oração incessante, conforme a história atesta. Portanto, meus caros irmãos em Cristo, eu vos exorto – eu, juntamente com São João Crisóstomo – pelo bem da salvação de vossas almas, não negligencies essa oração. Imiteis o exemplo daqueles de quem falei, e sigais seu exemplo o quanto puderes. Em princípio, pode parecer algo muito difícil, mas assegurai-vos, como se isto viesse do Deus Altíssimo, de que o próprio nome de nosso Senhor Jesus Cristo, incessantemente invocado por vós, ajudar-vos-á a superar todas as dificuldades e, com o tempo, vós estareis acostumados e desfrutareis da doçura do nome do Senhor. Então, sabereis por experiência que esta atividade não é impossível nem difícil, mas possível e fácil. É por isso que São Paulo, sabendo muito mais do que nós o grande benefício que esta oração traz, exorta-nos a orar sem cessar. Ele não teria exigido isso de nós se fosse algo assim tão difícil e totalmente impossível, sabendo de antemão que, fosse esse o caso, sendo impossível cumprir a tarefa, seríamos inevitavelmente desobedientes a seu mandamento e nos tornaríamos transgressores dele e, por causa disso, dignos de julgamento e punição. Mas esta não poderia ter sido a intenção do Apóstolo Paulo.

Para orarmos dessa maneira, temos de ter em mente o método da oração, como é possível orar sem cessar, isto é, orar com a mente. Sempre é possível fazer isso, se quisermos. Enquanto nos ocupamos com trabalhos manuais, enquanto falamos, enquanto comemos ou bebemos – sempre é possível orar com a mente, ou a oração agradável a Deus, a verdadeira oração. Trabalhemos com o corpo, mas com a alma, oremos. Que o homem exterior desempenhe todas as atividades corporais, mas que o homem interior esteja completamente entregue ao serviço de Deus e nunca cesse a atividade espiritual da oração mental, conforme Jesus, o Deus-Homem, mandou no Santo Evangelho: Tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto (Mateus 6:6). O aposento da alma é o corpo: a porta são os cinco sentidos do corpo. A alma entra em seu aposento quando a mente não perambula aqui e ali, em busca de coisas mundanas, mas quando encontra seu lugar no coração. Os sentidos se fecham e mantêm-se assim quando não lhes permitimos que se apeguem a coisas sensuais exteriores, e, dessa forma, a mente permanece livre de todos os apegos mundanos e, por meio da oração mental oculta, une-se a Deus seu Pai.

E teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente, continua o Senhor. Deus, que conhece tudo o que está oculto, vê a oração mental e recompensa com grandes e manifestos dons. Pois esta é a verdadeira e perfeita oração que enche a alma com a graça divina e com dons espirituais – como mirra que, quanto mais estiver contida em um vaso, tanto mais esse vaso exalará fragrâncias. É assim com a oração: quanto mais compartimentada estiver no coração, tanto mais abundará com a graça de Deus.

Bem-aventurados os que se acostumaram com essa atividade celestial, pois através dela vencem todas as tentações dos espíritos malignos, assim como David venceu o orgulhoso Golias. Dessa maneira, eles sufocam os desejos desordenados da carne, assim como os três jovens sufocaram as chamas da fornalha. Por meio da oração mental, as paixões são domadas, assim como Daniel domou as bestas selvagens. Ela traz o orvalho do Espírito Santo ao coração, assim como as orações de Elias trouxeram chuva ao Monte Carmelo. A oração mental alcança o próprio trono de Deus, onde é entesourada em taças douradas e, como um incenso, exala uma doce fragrância diante do Senhor, exatamente como São João, o Teólogo, viu em sua revelação: Os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa, e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos (Apocalipse 5:8). A oração mental é a luz que ilumina a alma do homem e inflama seu coração com o fogo do amor a Deus. É a corrente que une Deus ao homem e o homem a Deus. Ó, não há nada que se compare com a graça da oração mental! Ela faz do homem um eterno dialogador com Deus. Ó verdadeira excelência e excelentíssima tarefa! Em corpo vós estais com as pessoas, mas mentalmente conversais com Deus.

Os anjos não possuem vozes audíveis, mas mentalmente rendem louvor constante a Deus. Eis sua ocupação; toda sua vida é dedicada a isso. E tu também, irmão, quando entrares no teu aposento e fechares a porta, isto é, quando tua mente não mais perambular por aí, mas entrar nos recessos interiores do teu coração, e teus sentidos forem trancados e afastados das coisas do mundo, e dessa maneira tu sempre orares, então serás como os santos anjos, e teu Pai, que vê tua oração secreta que rendes a Ele dos tesouros do teu coração, conferirá a ti grandes e manifestos dons espirituais.

E o que mais tu desejas disto, quando, conforme eu disse, mentalmente tu estás sempre na presença de Deus e conversas com Ele incessantemente – tu conversas com Deus, sem O qual nenhum homem jamais será abençoado aqui ou na outra vida.”

São Gregório Palamás