Você já nasceu de novo?

julho 29, 2011

“Que alegria profunda, e ao mesmo tempo, que liberdade interior experimenta uma alma que se entregou à ação do Espírito Santo.”

D. Columba Marmion

 

 Um homem chamado Nicodemos procurou Jesus para tentar descobrir o que estava faltando em sua vida para ser feliz e viver em paz interior. Ele era um príncipe dos judeus, seguia em tudo a prática religiosa dos judeus. Seria em nossos dias considerado um cristão praticante.

 Nosso Senhor vendo a sinceridade da busca deste homem, não faz um grande discurso, simplesmente aponta para uma experiência fundamental: “Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus” (Jo 3,3).  

 Todas as vezes que eu leio este texto lembro de uma pequena estória: “Uma mulher muito simples sentou no ônibus ao lado de um cristão praticante. Ele estava entretido com um livro e nem percebeu a presença da mulher. De repente, ela pergunta: “ O senhor já nasceu de novo?”. O homem não responde. Passado algum tempo, novamente a mesma pergunta:“O senhor já nasceu de novo?”. Em um determinado momento a pessoa diz: “Eu sou cristão praticante”. “Desculpe, não foi esta a pergunta. Queria somente saber se o senhor nasceu de novo!”. Quando este homem chegou em casa, abriu a Bíblia justamente no encontro de Jesus com Nicodemos. Ele caiu de joelhos, e suplicou a Deus: “Senhor Jesus, renova-me com a força do Espírito Santo.”

 A maior necessidade da Igreja e dos cristãos é a de viverem esta experiência da ação do Espírito Santo. Você já nasceu de novo? Ninguém nasce de novo porque é bom, por ser membro da Igreja. Também não significa uma mudança de religião. Esta e outras explicações são próprias de quem continua não entendendo o significado fundamental de nascer de novo.

Talvez alguns argumentem: “ Eu já recebi o batismo, aí nasci da água e do Espírito.” Esta afirmação é verdadeira. Em nosso santo batismo já recebemos o Espírito Santo. A questão não é possuir o Espírito Santo, mas deixar-se guiar por Ele.

Agora responda a estas perguntas:

 Qual a obra que Deus deseja realizar em minha vida?

 “Dar-vos-ei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirar-vos-ei do peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Dentro de vós meterei meu espírito, fazendo com que obedeçais às minhas leis e sigais e observeis os meus preceitos.” (Ez 36,26-27)

 Por que enviou Jesus, e permitiu que Ele morresse por amor de mim na cruz?

 “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3,16)

 E por fim, qual o significado da vinda do Espírito Santo em minha vida?

 “mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo.” ( Atos 1,8)

 São versículos conhecidos, sem dúvida alguma. Torne-os reais, agora, em sua vida. O novo nascimento é obra de Deus, que somente acontece se a desejamos.  Por isso, abra o seu coração, e peça o poder do Espírito Santo. Todos os dias renove este pedido.

 Use, se desejar esta oração, e complete com as suas palavras:

 Vem, Espírito Santo,

E renova em mim a chama do Teu amor.

Enche-me de fé, Senhor,

E revela com Tua luz todos os meus pecados e traumas.

Liberta-me, Espírito Santo,

E faz de mim uma nova criatura.

Santifica o meu espírito e alma,

Renovando também todo meu ser, emoções,

Mente, ouvidos, olhos, lábios e atos.

Capacita-me a viver a Palavra de Nosso Senhor

Jesus Cristo em toda sua profundidade.

E agora, Santo Espírito,

Dá-me os Teus dons

Para que eu possa melhor servir o reino de Deus,

Amando, indistintamente, todos meus irmãos.

Mas, acima de tudo, derrama o Dom do louvor,

Para que, em tudo e por tudo,

Eu glorifique o Senhor Nosso Deus.

Em nome de Jesus.

Amém

 

“Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo” (Lc 3, 16b).


A importância do Batismo no Espírito Santo

julho 22, 2011

O acontecimento decisivo para a Igreja iniciar a missão recebida de Jesus deu-se por ocasião do seu batismo no Espírito. Todos os presentes no cenáculo de Jerusalém foram mergulhados ou imersos no poder do Espírito Santo. Esta experiência pentecostal passará a ser prática normal para a vida e crescimento da Igreja. O ensino bíblico e também da Igreja primitiva, não deixa margens para dúvidas: a vida cristã autêntica começa com a decisão de seguir a Jesus, que para se manter necessita do dom do Espírito Santo. O motivo é muito simples: Jesus é aquele “ que batiza no Espírito Santo” (Mt 3,11; Mc 1,8; Lc 3,16; Jo 1,33). A vinda do Espírito Santo em Pentecostes abriu as portas do cenáculo para a Igreja ser apresentada para o mundo com impacto “ veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso…”(Atos 2,2). Neste dia cumpriram-se as promessas de Jesus:

 “ Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto.”(Lc 24,49);

porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui a poucos dias.”(Atos 1,5).

Nestas duas pequenas passagens observamos como Jesus fez questão de indicar para os discípulos a importância de estar “cheios do Espírito”. Ele não quer somente seguidores convencidos intelectualmente, bem preparados para executar trabalhos ou com boa vontade. 

O revestimento da força do alto ou o batismo no Espírito é a experiência de ser mergulhado no amor e poder de Deus, trazendo para a pessoa uma transformação interior marcante e uma coragem nova para anunciar o Evangelho: “ mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo.”(Atos 1,8).

Pentecostes não foi um fim em si mesmo, isto é, uma experiência somente para aquele momento do início da Igreja. Pedro afirma à multidão reunida diante do cenáculo : “ a promessa é para vós, para os vossos filhos e para todos os que ouvirem de longe os apelos do Senhor, nosso Deus.” Atos 2,39). Estas palavras demonstram a consciência que para viver de um modo eficaz a fé, como autêntico discípulo de Cristo, é necessária esta plenitude do Espírito.


O operário alcoólatra que virou santo

julho 15, 2011

Matt Talbot nasceu na pobreza e começou a trabalhar como operário em Dublín, Irlanda, sendo ainda um menino. Não teve acesso a nenhum tipo de instrução. O ambiente familiar era dominado pelo vicio de beber do pai e alguns de seus irmãos. A mãe era uma fervorosa católica, que sofria em ver o estado de sua família.

Aos 12 anos começa a trabalhar em um local onde eram engarrrafadas cervejas. Aí começa o vício do álcool. Aos 16 anos era um alcoólatra crônico, que tinha como único prazer beber. Ao mesmo tempo, começou a se afastar de toda a prática religiosa. A mãe e uma das irmãs jamais o abandonaram, acreditavam que um dia Deus operaria um milagre em sua vida.

 O pai na tentativa de afastá-lo do vício da cerveja, o levou para trabalhar junto com ele nas docas do porto, onde, entre outras coisas, se ocupava com a importação diferentes bebidas alcóolicas. Foi o mesmo que cair na panela do diabo, pois da cerveja passou para as bebidas fortes.

 Quantas vezes entrava em casa sem os sapatos, porque os havia trocado por uma garrafa de bebida. Quando despertava de sua bebedeira sentia uma profunda vergonha ante Deus. Mas cada vez que chegava o dia do pagamento, ao ver-se com dinheiro, não tinha a força de vontade e sucumbia em  tentação. Seu alcoolismo chegou a ser crônico. Vendeu tudo o que tinha para sustentar  o seu vício.

 Repentinamente, quando já havia completado 28 anos, e já se notavam os sinais inconfundíveis da sua dependência ao álcool, tomou a decisão de abandonar o vício. Neste dia, jogou pela janela um copo com bebida e jurou nunca mais beber. Ninguém jamais soube os motivos desta sua inesperada transformação. Certamente não foi um mero cansaço ou repugnância, nem o medo da dependência física, mas uma ação profunda da graça de Deus.

 O dia de sua libertação da escravidão do vício do álcool ficou guardado para sempre em sua memória. Vestiu a sua melhor roupa, e se dirige ao Colégio de Santa Cruz, onde pede para falar com um padre. Faz uma confissão. O sacerdote o aconselha a fazer o seu voto por três meses. No dia seguinte participa da missa, comunga e sai renovado pela presença de Jesus. Matt reconhece na comunhão diária  o meio para receber a força espiritual para manter a decisão de não mais beber.

 O momento mais difícil para manter a sobriedade é a tarde, depois do trabalho. Para evitar a tentação, realiza passeios pela cidade. Não obstante, um dia entra em um bar cheio clientes. O garçom parece ignorar Matt, sentindo-se ofendido por essa desatenção, sai a toda pressa da sala, decidido a não pôr nunca mais os pés em um bar.

 Matt se dá conta de outra dificuldade: o álcool debilitou sua saúde e se cansa nos passeios para evitar a tentação dos bares. Passa então também a entrar em uma igreja e, de joelhos ante do sacrário, fica a rezar, suplicando a Deus que o fortaleça. Desse modo adquire o costume de freqüentar a casa de Deus, e visitar Jesus Sacramentado.

 Os três meses parecem intermináveis, pois as conseqüências da falta de álcool (alucinações, depressão e náuseas) tornam  esse tempo um verdadeiro calvário. Em alguns momentos, a antiga dependência torna-se violenta, como se fosse impossível resistir ao desejo de beber novamente. Usa como remédio lutar desesperadamente, prolongando suas orações. Um dia, voltando para casa desanimado, diz com tristeza a sua mãe: «É inútil, mamãe, quando se cumprirem os três meses voltarei a beber…». Ela como era uma mulher profundamente religiosa o conforta e anima a continuar rezando. Ele segue o conselho ao pé da letra, toma gosto pela oração e encontra nela sua salvação.

 Efetivamente, a oração ajuda a que saiamos de situações humanamente desesperadas. Para Deus tudo é possível (Mt 19, 26). São Alfonso María do Ligorio, doutor da Igreja, afirma: «A graça de orar se concede a todo mundo, de sorte que se alguém se perde carece de desculpa… Orem, orem, orem, e não abandonem nunca a oração, pois quem ora se salva certamente, quem não ora se condena certamente» (cf. CEC, 2744).

 Cumpridos os três meses, surpreso de ter «agüentado o gole», Matt renova seu voto por seis meses mais, ao término dos quais se comprometerá para sempre a não beber mais álcool. A oração da mãe e da irmã alcançou a graça implorada. A mudança foi total na vida de Matt, não se libertou somente do vício terrível do álcool, mas foi renovado em sua fé, voltando para Deus e a Igreja com entusiasmo.

 Pouco a pouco aprende a escrever para conhecer a doutrina cristã e ler os livros da vida dos grandes santos para poder crescer no seu amor a Deus. O sorriso nos lábios e a sua humildade o transformaram em um apóstolo no meio dos outros operários. Pelo seu exemplo de vida ajudou muitos colegas a saírem do vício e também a voltarem para a prática da religião.

 As armas para se manter firme na nova vida de filho de Deus foram  durante a vida inteira a Eucaristia diária, oração intensa, leitura espiritual, devoção mariana e dedicação ao trabalho. Sua jornada começava às duas da madrugada. De joelhos rezava até que os sinos chamavam para a missa; depois ia para trabalho e chegava entre os primeiros. Apesar de ganhar pouco ainda compartilhava com os mais pobres. Durante muitas noites cuidava algum amigo doente.

 Obteve a vitória. Viveu por 40 anos em completa sobriedade em união com Cristo até sua morte. Ele viveu intensamente a palavra do Senhor: “… o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam.” (Mt. 11,12). Mas não se esqueceu dos que sofrem este terrível vício. “Nunca despreze a um homem que não pode deixar de beber”, disse a sua irmã em uma ocasião, “é mas fácil sair do inferno”.

 Matt Talbot é um modelo para todos os homens. Em um tempo em que não existiam comunidades de recuperação ou terapêuticas, ele somente com a força da fé foi capaz de vencer o vício. Às vítimas do alcoolismo ou da dependência de drogas, como também qualquer outro problema,   demonstra com seu exemplo que, com a graça de Deus, é possível se libertar de qualquer escravidão.

Este é um capítulo do livro ELES ENCONTRARAM A FELICIDADE, E VOCÊ?   http://www.lojaencontrocomcristo.com.br/produtos_descricao.asp?lang=pt_BR&codigo_produto=251

 


Vença as crises

julho 9, 2011

 Uma das maiores frustrações de um padre é ver ovelhas de seu rebanho viverem o seu compromisso com Cristo com entusiasmo e dedicação, e de repente, diante dos problemas da vida, desabarem como um prédio que não tem bom alicerce. Fica a impressão que a vida de oração, a participação nos sacramentos, de um modo especial a Eucaristia e Reconciliação, o engajamentos pastoral não são capazes de dar a força para reagir diante das dificuldades da vida. Quantos cristãos de linha de frente no meio da batalha ficam machucados emocionalmente, e permanecem por muito tempo ou para sempre nesta triste situação.

 Surge uma questão importante: Qual é a causa desta situação tão dolorosa que afeta a caminhada cristã de tantas pessoas?  Uma das principais é a ilusão de que cristão não passa por crises. Quantas vezes ouvi pessoas afirmando para os outros ou para si próprias: “ O verdadeiro cristão não fica deprimido, isso é falta de confiança em Deus.”. Diante desta afirmação surge o sentimento de culpa que bloqueia toda reação positiva. Também é comum o questionamento “ Como isso foi acontecer comigo?”. Aqueles mais pessimistas concluem: “ Deus esta me castigando por alguma coisa errada.”

A conseqüência da dificuldade em lidar com os problemas é tentar viver a ilusão que nada esta acontecendo, reprimindo os sentimentos e usar uma série de “técnicas pseudo-cristãs” sem resultado algum. Significa fingir que tudo esta bem, como se fosse algo vergonhoso reconhecer a própria fraqueza ou erro. Por meio desta atitude ignora-se uma verdade espiritual importante, ensinada pelo apóstolo Paulo em 1Cor 12,9b: “ prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo.”

 Não se trata de cair na atitude simplista de dizer “ errei porque sou humano”, “ eu não mereço esta situação, vou desistir de tudo” ou culpar alguém. É preciso  ter presente que somos seres em constante mudança. Não importa se estas mudanças surjam de questionamentos interiores, relacionamento marido e mulher, pais e filhos, parentes, namoro, ambiente profissional, igreja, com as pessoas em geral, ou ainda de algum vício, doença ou da própria morte. Em qualquer um dos casos é necessário aprender a lidar com o conflito, tendo sempre presente a misericórdia de Deus.

 É muito fácil buscar “soluções mágicas” e “instantâneas” bem a moda da nossa sociedade de consumo. A nossa vida emocional-afetiva não é como algo errado escrito no computador que basta teclar delete para apagar. Também é diferente de uma lata descartável de refrigerante, que depois de usada é amassada, e jogada fora. A mente, o coração, os sentimentos e o corpo nos pregam surpresas quando somos expostos às crises da vida. Nem sempre , em um primeiro momento, reagimos conforme nossas crenças. “Encontro, pois, em mim esta lei: quando quero fazer o bem o que se me depara é o mal.”(Rm 7,21).

Quantas vezes perdemos as rédeas dos problemas, e como conseqüência criamos bloqueios emocionais que impedem uma solução adequada. Aí entram em cena a ansiedade, depressão, sentimento de culpa, complexo de rejeição, raiva, amargura… dificultando mais ainda a possibilidade de enfrentar a situação.

Existe saída? Sim. Basta a disposição para aprender a lidar com as crises de acordo com os ensinamentos de Jesus. “ No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo.”(Jo 16,33b). A palavra chave é : Coragem. Não desistir de si mesmo, das pessoas ou da própria vida. O importante é não ter medo de lidar com os problemas e nem de errar na busca da solução. Uma coisa é certa: Deus jamais nos abandona, Ele nos entende e somente Ele tem o que realmente necessitamos.

 

 

 Oração diante das crises

 

Senhor, ensina-me a entregar-Vos com toda confiança,

 

tudo o que sou, sinto e tenho.

 

 Neste momento desejo Vos devolver a direção de tudo

 

o que se encontra em meus cuidados,

 

e Vos agradecer por ser um de vossos administradores,

 

pois Sois dono de todo o Universo,

 

de minha vida, de tudo o que tenho.

 

Ajudai-me a nunca sair de Vossos propósitos,

 

colocar sempre meus problemas em Vossas mãos

 

e assim descansar meu coração.

 

Que nos momentos em que me vier a ansiedade

 

tão própria de minha fraqueza humana,

 

fortalecei-me, Senhor,

 

dando-me a graça de lembrar-me

 

sempre destas Vossas santas Palavras:

 

“Confiai vossas preocupações,

 

porque Ele tem cuidado de Vós”.

Obrigada(o), Senhor.

Clip_Adriana_-_Abraço_de_Pai 

 

 

 


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